Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 10/12/2019
No período republicano, a Revolta da Vacina eclode após o médico e sanitarista Oswaldo Cruz instituir a imunização obrigatória contra as doenças que assolavam o país. No século XIX, era considerado assustador os procedimentos necessários para a prevenção de patologias. No entanto, esse paradigma foi substituído na sociedade, pois, devido à imensa quantidade de compromissos presentes no cotidiano e a escassez de tempo para consultas médicas, a automedicação é encarada como natural, promovendo a expansão da indústria farmacêutica como mecanismo capitalista. A priori, é válido ressaltar que o principal óbice da problemática situa-se nos interesses econômicos das empresas produtoras. De acordo com Karl Marx, o capitalismo é responsável por transformar todos os elementos em mercadoria, e nesse caso, é o que ocorre com as farmácias e sua indústria, que se transformam em um método de obtenção de lucro. Devido essa ambição, o incentivo para o consumo de medicamentos é realizado de maneira massificada, através dos principais meios de comunicação, e assim, promove-se na população a perda da noção dos diversos efeitos colaterais dos remédios no organismo. Desse modo, a saúde e o bem estar dos indivíduos são negligenciados, visto que a intenção não é a melhora dos indivíduos, mas, a ascensão dessa indústria. Ademais, os efeitos provocados pela globalização legitimam o crescimento da compra de remédios. O processo de gentrificação, por exemplo, aumenta as distâncias entre os hospitais e as pessoas, que acabam por fazer uso de analgésicos sem consulta prévia, a fim de evitar o deslocamento. Além disso, o fácil acesso aos medicamentos acentua a praticidade da automedicação, visto que após a expansão das drogarias, nesse século, as mesmas situam-se muito próximas de todos os indivíduos pertencentes a sociedade. Outrossim, o preço dos fármacos mais utilizados são alcançáveis, outro motivo que contribui para que as pessoas prefiram um diagnóstico próprio a um específico. Infere-se, haver necessidade de atuação do Ministério da Saúde e do Ministério Público, ao construírem postos de saúde e unidades de pronto atendimento em áreas específicas, com o objetivo de aproximar as pessoas de regiões mais afastadas à medicina qualificada, para que seja facilitado a ida dessas pessoas nesses estabelecimentos e as mesmas recebam a medicação adequada. Também, utilizar a internet para alertar a população dos riscos dos medicamentos por meio de anúncios e propagandas. Tais medidas driblam o impasse precisamente, tornando desnecessária uma revolta da vacina contemporânea.