Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 17/03/2020

O documentário “What the Halth”, produzido pela Netflix, retrata a vida de Kip Anderson, um homem de 46 anos que decide investigar o universo farmacêutico, após perceber o quão dependente ele estava do mesmo. Paralelamente a isso, a ficção mostra-se realidade no Brasil com os perigos da indústria farmacêutica na sociedade. Sob tal ótica, vemos que o descaso estatal e o individualismo presente na sociedade revelam-se como agravantes para essa problemática. Diante desse panorama defectivo, urge sua necessidade por retificação.

A princípio, é imperioso avaliar como a inação das esferas governamentais contribui para os riscos no âmbito da farmacologia. A Magna Carta de 1988 garante a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, no entanto, é factual que o poder executivo não efetiva essa prerrogativa, já que não faz a devida fiscalização do descarte de medicamentos, estes que muitas vezes são despejados pela industrias em esgotos, contaminando águas de rios, lagos e lençóis freáticos. Tal fato é comprovado quando se observa que, de acordo com o contratualista Thomas Hobbes, essa conjuntura configura-se como “violação do contrato social”, visto que, segundo o autor, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população. Assim cabe ao Governo um plano para atenuar essa situação.

Sob outro prisma, cabe pontuar que o individualismo presente na sociedade também colabora para a continuidade de tal adversidade. Em consonância ao pensamento do filósofo contemporâneo Zygmunt Bauman na “modernidade líquida” - característica do mundo pós capitalista - há uma redução das condutas éticas em razão da fluidez dos valores. Sob esse âmbito, percebe-se essa tese na comunidade brasileira, uma vez que a população não apresenta preocupação nem dá devida atenção à esse percalço. Dessarte, fica evidente que uma mudança no pensamento do corpo social brasileiro é fundamental, tendo em vista que, de acordo com Sartre, o homem deve zelar pelo bem coletivo em detrimento do individual, uma vez que ele está articulado em uma comunidade.

Infere-se, portanto, que há entraves para que sejam erradicadas as ameaças da indústria farmacêutica no Brasil. Partindo desse pressuposto, cabe ao Ministério da Educação – ramo estatal responsável pela formação civil - criar um projeto para ser desenvolvido nas escolas. Isso pode ser feito pela abordagem da temática, desde o ensino fundamental com palestras, atividades lúdicas e artísticas adaptadas à faixa etária, contando com a capacitação prévia dos professores, tal ação objetiva que a comunidade escolar e a sociedade no geral – por conseguinte – sensibilizem-se. Por fim, é imprescindível que a comunidade tupiniquim exija do poder público a concretude dos princípios constitucionais. Dessa maneira, a realidade distanciar-se-á dos fatos ocorridos em “What the Halth”.