Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 01/05/2020

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pós-Graduação para Profissionais do Mercado Farmacêutico, a cada 10 brasileiros, 8 se automedicam. E, embora pareça exagerado, infelizmente, a automedicação tem sido cada vez mais presente no cotidiano brasileiro, uma vez que tanto a facilidade em consumir remédios quanto a falta de informações equivalentes aos usos e efeitos colaterais favorecem esse tão polêmico hábito.

Primeiramente, cabe analisar o quão fácil e tentador é o consumo de remédios por conta própria. No documentário “Take Your Pills”, é retratado o uso descontrolado de drogas como Aderall e Ritalina, por estudantes, com o intuito de aumentar a performance escolar. Esse acesso se tornou possível graças à falsificação de receitas, as vezes assinadas por médicos sob suborno, o que reflete a fragilidade das leis vigentes sobre a venda de medicamentos. Além do mais, no mesmo documentário é visto como as drogas em questão, quando usadas sem prescrição médica, podem causar déficit de atenção e dislexia, doenças que, ironicamente, são as mesmas combatidas pelos remédios.

Ademais, infere-se explicar o porquê de a automedicação não ser recomendada. Na biologia, estuda-se um fenômeno chamado “Resistência Bacteriana”, que se trata de mutações em bactérias que a tornam resistentes a determinados remédios como os antibióticos. Outrossim, no contexto da automedicação, este é o processo que indivíduos se sujeitam a passar, uma vez que a prescrição médica é feita exclusivamente para evitar essa resistência.

Assim sendo, torna-se necessário que, a fim de diminuir os casos de automedicação, o Ministério da Saúde envie uma proposta de lei ao Poder Legislativo, que promova a transparência dos efeitos colaterais dos remédios vendidos, independente da presença de prescrições médicas, assim como impor multas aos casos de falsificação.