Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 07/03/2020
O estoicismo, que faz parte da linhagem filosófica grega, traz consigo uma reflexão terapêutica acerca de como as pessoas devem conduzir suas vidas: sem a constante preocupação com eventos inevitáveis, como o envelhecimento e a morte. No entanto, esse cenário é completamente oposto ao criado pelo marketing da indústria farmacêutica moderna, que visa à espetaculização das enfermidades humana. Esse fato implica uma tendência ao surgimento de doenças físicas e mentais, causadas pelo medo, ansiedade e uso de remédios sem prescrição médica.
A princípio, cabe citar que estratégias de venda abusivas têm grande potencial destrutivo, independente da esfera comercial às quais são aplicadas. Consoante a isso, na modernidade, as propagandas fazem uso de uma visão distorcida da filosofia de Platão, a teoria das formas, onde a proposta do filósofo sobre uma realidade inteligível e ideal é aplicada à estética, posição social e financeira, além da formação acadêmica. Essa estrutura induz os cidadãos a um ciclo interminável de buscas e negações. Para fazer-se clara, esta analogia, pode ser citada a padronização do ideal de beleza feminina, preconizada pelo estilo de vida luxuoso das modelos, associado a uma rotina de treinos, suplementação e procedimentos estáticos constantes.
Além do cenário supracitado, percebe-se o crescimento do contato direto da industria com os consumidores, muitas vezes desinformados acerca das consequências do uso indiscriminado de fármacos. Tal fato, associado à tarefa estressante do cidadão comum de se adequar ao paradigma social quase inalcançável, é responsável por surtos de depressão, ansiedade, distúrbios alimentares, além da dependência química. Dessa forma, para se fazer perceptível a gravidade do problema, o ICTQ(Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade), afirma que cerca de 79% dos brasileiros maiores de 16 anos praticam automedicação.
Em suma, para que a sociedade brasileira não sofra antecipadamente em função de propagandas perturbadoras, medidas devem ser tomadas. Assim, ONG’s podem ser fundamentais na construção de conteúdos de fácil acesso e entendimento, que oriente a população a não fazer uso de medicação de forma indiscriminada, esses podem ser elaborados em forma de panfletos e cartazes para serem distribuídos em escolas e universidades. Ademais, cabe aos estados, por meio das secretarias de saúde e educação, a elaboração de palestras com a presença de profissionais da saúde, principalmente da mental, para desmistificação e conscientização acerca do bem estar físico e psíquico. Indo além, uma terceira ação pode ser abordada por meio do Ministério da Educação, que consiste na implementação do ensino de inteligência emocional como disciplina na educação básica.