Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 07/04/2020
O Realismo, movimento literário Brasileiro, surgido no século XIX, propôs a investigação do comportamento humano e denunciou problemas sociais. Na contemporaneidade, é relevante recuperar estes princípios, uma vez os perigos da indústria farmacêutica persistem atrelados à realidade do país, seja pela facilidade no acesso aos medicamentos, seja pelo marketing utilizado que estimula o medo do indivíduo. Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover melhorias nesse âmbito a fim de garantir a segurança da saúde do paciente.
A priori, vale destacar que a Constituição Federal de 1988 garante direitos igualitários a todos os cidadãos. Entretanto, o que se observa é a violação destes, haja vista que a variedade de medicamentos que não necessitam de receitas médicas para adquiri-los contribuem para o crescimento dos índices de automedicação, dessa forma, gerando uma crise na saúde pública. Em virtude de não possuírem os conhecimentos adequado para realizar um diagnóstico correto, acabam por ingerirem superdosagens e combinações incorretas de fármacos, que podem favorecer o surgimento de intoxicações e comprometer a eficácia dos tratamentos.
A posteriori, é imprescindível salientar que o medo é muito utilizado como ferramenta de marketing pelas indústrias farmacêuticas para impulsionar a venda de medicamentos, uma vez que este é uma emoção associada ao reconhecimento de perigos potenciais, e assim, a simples menção de um sintoma leve é encarada como uma alerta para uma doença grave, incentivando o paciente a adquirir e ingerir o medicamento “por precaução”. Deste modo, tal problemática pode ser ratificada pelo pensamento do escritor Português José Saramago que acredita ser necessário solucionar os problemas e não apenas enxergá-los.
À luz dos fatos mencionados, cabe a ANVISA em parceria com o Governo Federal, promover através da implementação da legislação vigente e da elaboração de novas políticas, uma maior fiscalização nas farmácias a fim de evitar a venda ilegal de medicamentos, e ainda, é necessário uma alteração na resolução de muitos fármacos que são vendidos isentos de prescrições, com o propósito de garantir que os medicamentos sejam utilizados somente por aqueles que necessitam. Além disso, cabe ao Departamento de Marketing Nacional, inspecionar as propagandas e anúncios de fármacos, através de um controle mais severo, com o intuito de promover a transparência nessas campanhas e evitar que a população fique sugestionado e consuma mais remédios que o necessário. Dessa forma, buscando solucionar tais mazelas e adversidades que comprometem o bem-estar e desenvolvimento humano.