Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 15/06/2020

Se For Vender, É Bom

O filme “Superhipocondríaco”, que trata, em forma de comédia, sobre o distúrbio psíquico conhecido como hipocondria, no qual a pessoa vive em um constante medo de doenças, mostra a realidade de muitos brasileiros. Em virtude da indústria farmacêutica, condições como essa tendem a ser potencializadas por meio da “venda de doenças” e pelo estímulo implícito a automedicação.

Em primeiro momento, é de suma importância ressaltar como a “venda de doenças” é um perigo inerente à indústria farmacêutica. Nesse sentido, uma indústria que busca somente o lucro acaba vendendo novas doenças, para que, assim, mais remédios sejam consumidos. Exemplo disso é o texto publicado no site “Tua Saúde”, pela Dra. Ana Luiza Lima, que aborda sobre os efeitos colaterais de remédios para hipertensão, entre esses, pode-se citar: retenção de líquidos, dores de cabeça, vômitos, náuseas e impotência. Ou seja, o indivíduo consome o remédio para uma doença e pode obter outras e, dessa maneira, consumir mais remédios.

Além da “venda de doenças”, a automedicação é uma problemática decorrente dessa indústria. Deste modo, é possível inferir que, quando uma sociedade imersa em um cenário de venda de doenças possui livre acesso a grande parte dos medicamentos, está suscetível a realizar a automedicação e, por conseguinte, o aparecimento de doenças mais graves. Prova disso é a pesquisa executada pelo ICTG a qual mostra que 79% dos brasileiros com mais de 16 anos já se automedicaram, isto é, consumiram sem saber se era o remédio correto.

Nota-se, portanto, que o Brasil vive um contexto de perigo gerado por essa indústria do lucro. Todavia, medidas podem reverter esse processo. A ANVISA pode obrigar as indústrias a reduzirem os efeitos colaterais dos medicamentos, de modo que, menos remédios sejam necessários. O Ministério da Saúde pode proporcionar projetos em escolas, de forma que, desde cedo se aprenda que uma boa dieta e exercícios valem mais que um remédio, e, assim, menos pessoas recorreriam à automedicação. A partir dessas medidas, o Brasil conseguiria diminuir o perigo farmacêutico, assim como, o número de “superhipocondríacos”.