Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 12/06/2020
O filme “O jardineiro fiel”, do diretor brasileiro Fernando Meirelles, levanta um debate acerca dos perigos que rondam a indústria farmacêutica, principalmente quanto à ganância em gerar grandes lucros sobre a vida humana. É inegável a essencialidade dos medicamentos para a humanidade, no entanto, sua produção e consumo acarretam vários problemas sociais e sanitários.
Em primeira instância, deve-se frisar a importância do marketing para a indústria farmacêutica. As propagandas de medicamentos apresentam como alvo os consumidores saudáveis e utilizam como método de persuasão o medo de “ficar doente” para vender os produtos divulgados. Desta forma, queixas comuns acerca do corpo humano são transformadas em enfermidades sérias e perigosas e, consequentemente, o uso de remédios torna-se normal e corriqueiro, mesmo que teoricamente desnecessário para o quadro clínico do indivíduo. Ademais, vale ressaltar também que este cenário favorece o aumento da automedicação entre os brasileiros visto que 79% da população com mais de 16 anos se automedica, segundo a pesquisa realizada pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade.
Outrossim, é importante destacar que esta cultura de “ode” aos medicamentos criada pela indústria farmacêutica ocasionou na banalização de doenças mentais. Pessoas que estão essencialmente bem também vivem circunstâncias difíceis que causam sentimentos como angústia e ansiedade. Contudo, esses momentos naturais da vida humana, por vezes, são diagnosticados como transtornos psiquiátricos que vem acompanhados do uso contínuo de algumas drogas psiquiátricas. Desta forma, ao apresentar um comportamento mais desviante do considerado “padrão”, o paciente é submetido a medicamentos desnecessários e que podem trazer consequências pouco saudáveis ao seu organismo. Por exemplo, o uso indevido de Ritalina, droga usada no tratamento de TDAH, por estudantes principalmente em período de vestibular ou ainda por pessoas com diagnóstico equivocado pode acarretar problemas psiquiátricos mais sérios como o vício na droga e a depressão, segundo médicos psiquiatras.
Fica evidente, portanto, os perigos que o uso de medicamentos fomentado pelas grandes indústrias pode causar na vida humana. A fim de mudar o panorama mostrada acima, é necessário que o CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) torne as regras sobre as propagandas de remédios mais severas, além de diminuir sua circulação em território nacional. Ainda, as Secretarias municipais de Saúde devem criar programas que acompanhem o histórico médico dos cidadãos para que se tenha um maior controle dos medicamentos usados por esses indivíduos.