Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 09/05/2020
O mal trazido pelo bem
O século XXI tem sido marcado pelo surgimento de diversas doenças, da falta de atenção à depressão. Entretanto, as indústrias farmacêuticas têm apresentado impactos negativos para o combate dessas, à medida que influencia na compra de medicamentos desnecessários por transparecer ideais de saúde distorcidos, decorrente da busca desenfreada por lucro. Nesse sentido, há fatores que impulsionam essa problemática, como a prática da automedicação por boa parte da população e o investimento desse setor em publicidade.
Primordialmente, o documentário Take Your Pills, da Netflix, retrata o abuso de medicamentos por conta própria e os efeitos inesperados causados. Nesse sentido, a indústria farmacêutica incentiva a prática da automedicação, de modo a ignorar o bem-estar da população, visto que, é a principal fonte de lucro. Conforme pesquisa feita pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), a automedicação é um hábito comum a 77% dos brasileiros. Ademais, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 10% das internações nos hospitais brasileiros correspondem ao agravamento de doenças decorrentes do uso de medicações incorretas para tais.
Além disso, conforme Steve Jobs, a tecnologia mobiliza o mundo, sendo assim, é inevitável que os veículos midiáticos tenham papel fundamental na manutenção do problema, uma vez que as indústrias farmacêuticas têm investido bastante em publicidade. No entanto, os produtos são promovidos, de modo que os riscos relacionados ao consumo de alguns destes sem prescrição médica permaneçam implícitos. Dessa forma, as empresas negligenciam os cuidados com os clientes em troca do maior número de remédios vendidos. Outrossim, é notório a necessidade de melhor fiscalização nas farmácias, visto que, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), pelo menos 20% dos medicamentos comercializados no Brasil são irregulares, contrabandeados ou falsificados.
Portanto, urge que o Ministério da Saúde aja como força resolutiva, ao utilizar a mídia para reverter o quadro atual, por meio de propagandas que exponham os riscos ligados ao autodiagnóstico e à automedicação, juntamente com o incentivo à procura por profissionais da saúde legitimados para correto direcionamento farmacológico. Ademais, o mesmo deve monitorar a produção de remédios, por meio de testes rígidos para determinar uma qualidade ideal em todo processo de criação, assim, pode-se garantir o direito constitucional de uma saúde de qualidade e reduzir os casos de automedicação.