Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 11/05/2020
No filme “It - A Coisa”, baseado no livro de Stephen King, um dos personagens é hipocondríaco e sofre constantemente com o medo de adoecer ou de colocar a vida em risco. Além disso, sua mãe o incentiva a tomar diversos placebos por dia, desenvolvendo ainda mais a fobia do menino. Atualmente, fora do contexto fictício, a indústria farmacêutica e os veículos de divulgação alimentam diariamente a necessidade de consumir diferentes tipos de medicamentos, causando problemas como a automedicação e a dependência.
De início, é importante citar que as mudanças tecnológicas transformaram o campo científico e, assim, causaram alterações na indústria farmacêutica e na produção de manipulados. Contudo, convém ressaltar que uma boa parte da população consome, de forma independente, mais remédios do que realmente necessita. Diante disso, o consumo exagerado de alguns medicamentos pode desencadear o vício, a intoxicação por overdose e a perca ou a redução das propriedades funcionais desses fármacos no organismo dos indivíduos.
Paralelo a isso, Pierre Bourdieu, teoriza sobre o habitus como as influencias geradas pela interação entre as conjunturas sociais e os indivíduos. Dessa forma, a exposição midiática dos medicamentos e a constante preocupação com a saúde são mecanismos que contribuem para a normatização da automedicação, agravando os quadros de dependência e fortalecendo as estruturas farmacêuticas. Em outras palavras, a indústria de fármacos manipula as escolhas individuais da população ao seu favor.
É evidente, portanto, que medidas são necessárias para atenuar as influências da dinâmica farmacêutica. Por isso, o Ministério da Saúde - órgão responsável pelas diretrizes médicas e hospitalares - deve, com o auxílio da Mídia, promover campanhas e programas sociais que conscientizem e alertem a população sobre os malefícios da automedicação e das altas dosagens de remédio a fim de mitigar a problemática.