Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 09/05/2020
Em uma sociedade capitalista, em que a economia está inteiramente voltada ao lucro, a indústria farmacêutica ganhou espaço. Essa ao vender e promover seus medicamentos muitas vezes não possui como propósito ajudar e melhorar a saúde pública mas sim de ampliar seu mercado através do marketing e publicidade, contribuindo para uma sociedade cada vez mais doente e imediata.
Por essa lógica, ao analisar o conceito criado por Zygmunt Bauman, “modernidade líquida” que descreve a fluidez do atual comportamento da sociedade, o imediatismo é posto como principal característica. As pessoas possuem a tendência de optar por soluções mais fáceis, exemplo disso é o uso de medicamentos sem prescrição médica e a automedicação. Essa troca de uma ação segura mas trabalhosa pelo prazer/bem-estar instântaneo pode levar ao agravamento do quadro inicial, como também ao desenvolvimento de doenças autoimunes e a resistência à antibióticos.
De modo paralelo, as mídias possuem um forte papel nesse cenário, haja vista que, a indústria farmacêutica investe muito em propagandas e publicidades, expandindo ou até mesmo criando novas categorias de doenças. Se tornou comum anúncios de medicamentos para todos os tipos de problemas cotidianos, com o propósito de fazer o público acreditar que aquele mal-estar está ligado a alguma patologia. Sob essa conjectura, os investimentos em pesquisas de desenvolvimento e aplicações de fármacos nas faculdades de medicina, é outro fator que deve ser considerado, uma vez que com os estudantes aprendendo a tratar de doenças através, principalmente e quase exclusivamente, de medicamentos, contribui na estruturação de dependência da medicina para com a indústria farmacêutica.
Em síntese, cabe ao Ministério da Educação, adotar como medida a implementação de seminários mensais obrigatórios nas escolas de rede pública e privada, que abordem temáticas sociais com o intuito de trabalhar o pensamento crítico dos alunos. Ademais agentes como a Anvisa adjunto a OMS, devem apostar em planos de fiscalização, selos de segurança e rastreamento dos produtos comercializados, tais corporações em parceria com as mídias, podem desenvolver programas de conscientização da população acerca dos perigos da automedicação, de forma a contribuir para uma sociedade mais consciente e menos imediatista.