Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 29/05/2020

Ainda no século XVI, o médico e alquimista Paracelso afirmava que não há nada na natureza que não seja venenoso, a diferença entre remédio e veneno está na dose prescrita. Em consonância a esse pensamento, considera-se a dosagem correta o ponto central da eficácia do uso de qualquer medicamento. No entanto, a prática da automedicação torna-se cada vez mais comum na atualidade - segundo o Conselho Federal de Farmácia, esse hábito é comum a 77% dos brasileiros em 2019. Em consequência, são elevados os riscos de intoxicação ou da diminuição da eficiência dos produtos. Sendo assim, é preciso compreender como a precariedade do sistema de saúde público e o fácil acesso a informações pela internet impulsionam essa problemática.

Inicialmente, aponta-se que, de acordo com dados do Conselho Federal de Medicina, 87% dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) apresentam insatisfação com os serviços oferecidos. Isso posto, é possível depreender que a decisão natural dos usuários desse programa será por evitar ao máximo recorrer a ele, tendo em vista sua questionável eficácia e os longos prazos de espera pelo agendamento de consultas médicas. À vista disso, são urgentes medidas governamentais que alterem esse cenário, para que a população goze de seu direito constitucional à atenção à saúde e não opte por caminhos alternativos à consulta médica, que resulta em casos de automedicação.

Além disso, convém analisar a relação entre o acesso às informações viabilizado pela internet e os índices crescentes da medicação por contra própria no país. Para isso, destaca-se que, de acordo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade, 40% dos pacientes se autodiagnosticam pela internet e, consequentemente, se automedicam. Isso posto, infere-se que a busca por ajuda profissional adequada é comprometida pelo estilo de vida digital, pela falta de tempo e pelo imediatismo vivenciados pelos indivíduos nos dias atuais. Logo, urge a divulgação à população dos riscos apresentados pela substituição do diagnóstico de um profissional pelos resultados de pesquisas digitais leigas.

Portanto, para resolver a problemática supracitada, é preciso que o Ministério da Saúde reduza as filas de espera de consultas e melhore as estruturas hospitalares, com a aplicação de políticas voltadas ao SUS e o direcionamento de capitais para o sistema, de modo a reduzir a insatisfação dos pacientes e, concomitantemente, a tendência de autodiagnóstico e automedicação. Ademais, os canais midiáticos devem promover o conhecimento acerca dos riscos apresentados pela medicação por conta própria e a importância das consultas com profissionais, por meio de propagandas informativas e reportagens acerca do tema, a fim de que a população aja de forma prudente. Assim, poder-se-á garantir a segurança do uso de medicamentos pelos indivíduos no Brasil.