Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 23/05/2020

A constituição de 1988, norma de maior hierarquia social, assegura ao povo brasileiro o direito à saúde. No entanto, na prática, tal garantia é deturpada, considerando a atual conjuntura da indústria farmacêutica, a qual gera possíveis perigos para a população, visando de interesses próprios. Esse cenário nefasto ocorre em razão da supervalorização do lucro no mercado de fármacos, que acaba por agravar as altas taxas de automedicação no Brasil. Logo, faz-se imperiosa a análise dessa situação, com o intuito de mitigar os entraves para a consolidação dos direitos constitucionais.

Em primeiro plano, é válido destacar que, como acontece em todos os setores industriais, o dinheiro é colocado como prioridade no mercado farmacêutico, mesmo que, para isso, a saúde de milhares de pessoas seja prejudicada. Segundo Karl Marx, o capitalismo visa o lucro em detrimento de valores. Nesse sentido, podemos observar a vericidade dessa afirmação quando observamos que até mesmo no ramo medicinal existem propagandas e slogans de cunho midiático, com o intuito de vender cada vez mais suas drogas, ignorando a falta de conhecimento da população acerca dos efeitos colaterais que o uso delas pode desencadear.

Ademais, essa situação intensifica o crescimento da automedicação brasileira, na qual as pessoas preferem comprar medicamentos sem prescrição médica pela facilidade e rapidez. Tal circunstância pode ser explicada por Bauman, em sua teoria do Imediatismo, na qual afirma que a sociedade tende a agir em função do que oferece vantagem imediata, sem considerar consequências futuras. Dessa forma, as pessoas, ao se automedicarem, ignoram os danos que aqueles remédios, vendidos como inofensivos pela publicidade, podem causar à longo prazo, a exemplo do vício. Essa situação é demonstrada no documentário “Take yours Pills”, produzido pela Netflix, que aborda como milhares de pessoas fazem o uso de medicamentos sem prescrição, e acabam dependentes da droga.

Portanto, medidas são necessárias para diminuir os perigos da indústria farmacêutica na sociedade brasileira. Cabe, em primeiro lugar, ao Ministério da Saúde, por meio de projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados, intensificar a fiscalização de medicamentos nas drogarias, de modo que eles só sejam vendidos com orientação de um farmacêutico, o qual deve ser contratado de forma obrigatória, visando assim, diminuir as consequências da indústria midiática nos fármacos. Além disso, é dever do Governo Federal, por meio da mídia, a promoção de campanhas de conscientização sobre as consequências da automedicação, que podem ser transmitidas na televisão ou em redes sociais de maior alcance, procurando diminuir tal prática no Brasil. Desse modo, espera-se a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Carta Magna.