Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 25/05/2020
Assim como qualquer indústria, o principal objetivo da indústria farmacêutica é a obtenção de lucro. Nesse contexto, cada vez mais as enfermidades são vistas como sinônimo de negócios e, por meio de propagandas apelativas e “remédios milagrosos”, novos consumidores são seduzidos pelo seu poder de persuasão. Sendo assim, é de fundamental importância que medidas sejam tomadas a fim de minimizar os perigos causados por tal indústria, tais como o incentivo à automedicação e a corrupção médica.
Em primeiro lugar, um dos maiores perigos oferecidos pela indústria farmacêutica é a automedicação. Segundo pesquisas realizadas pelo Conselho Federal de Farmácia, 77% dos brasileiros se automedicam. Isso porque, a superlotação do sistema público de saúde somado a um estilo de vida cada vez mais imediatista faz com que muitas pessoas vejam na automedicação uma forma mais rápida e vantajosa de resolver pequenas indisposições cotidianas ou até melhorar seu desempenho. Um exemplo disso é apresentado no documentário norte-americano “Take Your Pills”, que retrata o uso indiscriminado de medicamentos sem prescrição médica por um enorme número de pessoas, o que resulta em diversos riscos à saúde.
Por outro lado, os próprios profissionais da saúde são persuadidos pela indústria farmacêutica. Assim, muitas empresas oferecem benefícios aos médicos, como viagens, jantares e inscrições em congressos em troca da prescrição de seus remédios aos pacientes. Conforme pesquisas realizadas com médicos da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, 72% dos médicos norte-americanos afirmam receber benefícios da indústria farmacêutica. Dessa forma, cada vez mais os medicamentos são transformados em mercadorias e a saúde dos pacientes em uma mera jogada de marketing.
Logo, é essencial que medidas sejam tomadas a fim de reduzir os riscos oferecidos pela indústria farmacêutica. Para isso, as instituições de ensino, em conjunto com o Ministério da Saúde, devem ser responsáveis por realizar aulas, debates e palestras com profissionais da saúde, instruindo os alunos sobre os riscos da prática da automedicação e orientando em quais casos ela é necessária. Com isso, haverá a formação de cidadãos mais responsáveis no que diz respeito à automedicação e ao uso consciente dos remédios. Por fim, é importante que haja uma maior fiscalização acerca das ações dos propagandistas, por parte da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a fim de evitar o suborno aos profissionais da saúde. Somente assim será possível minimizar os perigos da indústria farmacêutica na sociedade brasileira e garantir uma maior segurança no sistema de saúde do país.