Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 30/05/2020
Em um dos episódios da série “The Good Doctor” é relatado o caso de um paciente que tem problemas no fígado, mesmo não sendo alcoólatra. Ao analisar o histórico do doente, os médicos descobriram que seus problemas eram frutos dos vários remédios que ele tomava, que tinham como objetivo melhorar seu desempenho nos esportes. Infelizmente, fora da ficção e na sociedade brasileira, a automedicação estimulada pelas propagandas da indústria farmacêutica, que vendem soluções em pílulas para uma vida melhor, também ocasionam em vários distúrbios.
Antes de tudo, vale ressaltar que o comércio de medicamentos que prometem o aperfeiçoamento do bem estar e que não são necessários, têm uma de suas raízes na filosofia do sistema capitalista. De acordo com o sociólogo Karl Marx, tudo é convertido em mercadoria para que o capitalismo não entre em crise. Nesse sentido, as farmácias transformaram a saúde humana em algo que pode ser vendido, ao produzirem fármacos desnecessários, buscarem por formas de comercializá-los sem a indicação de um médico e investirem numa intensa propaganda que mostra um padrão de viver utópico.
No entanto, os problemas consideráveis da automedicação não ficam restritos apenas às causas, e sim às consequências. Segundo o Conselho Federal de Farmácia (CFC), em 2019, 77% dos brasileiros se automedicavam diariamente ou semanalmente. É evidente que, muitos dos que pertencem a essa porcentagem, podem um dia se tornarem dependentes das substâncias e dessa forma, terem problemas financeiros, sociais - devido ao mau comportamento provocado por crises de abstinência e de saúde, com o aparecimento de enfermidades.
Percebe-se, portanto, que medidas são necessárias para combater os impasses que a indústria farmacêutica causa. É fundamental que o Ministério da Saúde dificulte o acesso aos “remédios de performance” por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. Nessa lei haveria a proibição da comercialização de tais sem a prescrição médica, e os estabelecimentos estariam sujeitos a serem fechados caso não cumprissem isso. Ademais, o ministério também promoveria campanhas de conscientização mostrando a importância de consultar um médico antes ingerir qualquer tipo de fármaco. Dessa maneira, aos poucos, casos como o retratado em “The Good Doctor” iriam diminuir.