Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 21/06/2020

A série estadunidense ´´Doenças do Século XXI´´ revela, através de pacientes que se autodiagnosticam e se automedicam, o quão influente a indústria farmacêutica é na saúde mental e física de todo o corpo social. Assim, como um negócio multimilionário e globalizado e mesmo tendo trazido diversos avanços para a saúde, a atividade farmacêutica incentiva, através da propaganda, a prática da automedicação, além de, diante do monopólio de medicamentos, restringir curas e tratamentos às classes econômicas dominantes, fatos esses que constituem perigo para a sociedade.

Em primeira análise, um dos perigos da indústria farmacêutica é o incentivo à automedicação, objetivando o lucro dos empreendimentos milionários. Sob esse viés, o filme ´´Batimentos´´ retrata o perigo do uso de medicamentos sem receita médica, através da imagem de um frasco de remédio e seu uso, o que causa a morte do personagem. Entretanto, mesmo a automedicação sendo uma prática extremamente perigosa, podendo ser até fatal, o acesso à saúde, apesar de ser um direito reconhecido pela Organização das Nações Unidas, ONU,  é restrito, principalmente em países em desenvolvimento como o Brasil. Dessa maneira, com a grande propaganda farmacêutica em meios de comunicação de massa, pouco acesso à profissionais de saúde, superlotação do atendimento público e a falta de recurso para  suprir um atendimento privado, além do fato de que os remédios, ainda que sejam um item de primeira necessidade, ainda possuem um alto custo, levam muitos a procurarem refúgio na automedicação.

Em segunda análise, outro risco do meio como os empreendimentos de medicamentos se construíram e se ´´popularizaram´´ é o elevado preço de venda das substâncias medicinais. O termo popularizar remete à utilização por uma grande parcela populacional, logo, com grande alcance, o que não acontece quanto aos medicamentos, que, chegando ao consumidor com alto custo, só conseguem atingir os economicamente privilegiados. A exemplo do que se pode ver na música ´´E no Final´´, da banda brasileira O Terno, no trecho ´´e se a cidades fossem menos desiguais´´, pode ser representado através do acesso a remédios,  que, devido ao poder de compra ser concentrado nos bairros nobres, levam moradores de povoações pobres e periféricos a não poderem custear os fármacos necessários.

Diante disso, urge a ação do Ministério da Saúde em união com as prefeituras, através da instalação de farmácias em locais de acesso remoto, comunidades e periferias, que, com o cadastramento de moradores, promoveria o acesso público à médicos e remédios, além de palestras ministradas por profissionais da saúde acerca dos perigos da automedicação. Dessa maneira, objetiva-se a democratização do acesso à saúde, como assegurado na Declaração Universal dos Direitos Humanos.