Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 25/06/2020

Consoante o geógrafo Milton Santos, autor da obra “Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal”, na sociedade moderna o capitalismo leva as diferentes empresas a formarem primeiro o consumidor, depois o produto. Diante desse cenário, a indústria farmacêutica faz uso de métodos abusivos que influenciam a auto-medicação (sem prescrição médica) em larga escala, evento que precisa ser combatido pelo Estado de maneira a proteger a saúde da população.

Primeiramente, é necessário ter conhecimento dos dados divulgados pelo Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz): 16% das mortes por intoxicação são causadas por medicamentos e quase um terço dos internamentos pelo mesmo motivo também têm os fármacos como causa. Visto isso, é exposto o descaso que as empresas têm com os seus consumidores, tudo em pró do lucro incentivado pelo sistema capitalista. Álvaro César Nascimento afirma no artigo “Propaganda de medicamentos no Brasil: é possível regular?” que a indústria farmacêutica investe fortemente no marketing de produtos cujo custo-benefício chega a ser muito estreito, ou seja, apesar de ter suas vantagens, a medicação também pode fazer muito mal ao usuário. Destarte, confiando na propaganda e nas coisas ditas nas redes, as pessoas se submetem a tratamentos que podem ser extremamente perigosos sem o devido cuidado.

Além disso, outras consequências que a auto-medicação descontrolada envolvem o desenvolvimento de hipocondria, que consiste em uma obsessão compulsiva sobre o próprio estado de saúde. Em uma sociedade sempre conectada, conforme alega Zygmunt Bauman, a quantidade de informações é tanta que o cérebro não retem conhecimento suficiente para que as escolhas sejam tomadas de maneira independente. Isso implica que a influência que as redes sociais e o marketing têm sobre as pessoas é enorme, fato que as indústrias utilizam em seu próprio favor todos os dias, utilizando a internet e a televisão como intensificadores dos transtornos e medos dos consumidores. O perigo não reside somente na saúde física e visível, se encontra também na mental, afetada constantemente pelo bombardeamento que as empresas insistem em fazer, mais uma vez, visando o lucro e a prosperidade financeira. Tal tratamento que o capitalismo dá aos clientes é cruel.

Por fim, pode-se concluir que instituições como a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e o Conselho Nacional de Auto Regulamentação Publicitária (CONAR) devem manter a proibição das propagandas de medicamentos utilizáveis apenas sob prescrição, e deve reforçar os critérios de aprovação do marketing, garantindo que as informações sejam expostas de maneira clara e que as empresas não se isentem da responsabilidade sobre as possíveis consequências.