Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 25/06/2020
Em “Alice no país das maravilhas”, a personagem principal que dá nome a obra toma várias vezes uma pílula, ora para encolher, ora para se agigantar, mas não há qualquer advertência sobre os possíveis efeitos colaterais de tal ingestão. Em paralelo com o mundo real, muitas pessoas se automedicam, ignorando a prerrogativa da opinião médica, a qual é abalizada pela ciência. Isso no Brasil é perigoso não apenas por deslegitimar as pesquisas científicas, mas, sobretudo, por agravar o estado de saúde do indivíduo, levando-o às vezes à morte.
Em primeira analise, a a herança indígena na cultura de medicamentos ainda está entranhada na escolha populacional pela automedicação. A prática do curandeirismo, por exemplo, popularizou a ingestão de chás e aplicação de unguentos recomendados por índios para tratar diversos males, porém, sem comprovação científica. Essa herança se estendeu para as drogas laboratoriais, as quais são indicadas erroneamente entre as pessoas, sem passar pelo crivo de um profissional de saúde.Tal descrédito dado à ciência surge do emergencialismo por uma cura nem sempre proporcionada pelo SUS, o qual de 1988 para cá peca na execução qualitativa do direito constitucional da saúde. Então, ignorando qualquer protocolo da OMS, a sociedade segue a prática irresponsável de automedicação devido à inoperância do Estado em oferecer recurso medicamentoso gratuito ao povo.
Em segunda análise, os problemas advindos dessa prática são preocupantes, sobretudo, com a democratização do acesso à internet no país. Nela, indivíduos buscam orientação em sites que disponibilizam bulas virtuais, recomendam remédios ou os vendem sem a consulta de um profissional especializado. Segundo o médico Dráuzio Varella, isso pode levar a intoxicação, envenenamento ou morte. Além disso, em muitos casos há a dependência de pessoas a drogas desconhecidas, levando-a a se tornar hipocondríaca.Contudo, assim que se instalou o Coronavírus, percebeu-se que não há no Brasil um controle para a automedicação, haja vista a corrida às farmácias por pessoas atrás de remédios facilmente comprados sem prescrição médica.
Diante disso, é necessário que o Ministério da saúde amplie e melhore o programa “Remédio em casa”, através da contratação de agentes de saúde, por meio de concursos públicos realizados pelas prefeituras municipais. Isso para amentar as ofertas desses profissionais, os quais vão orientar a população sobre os perigos de se medicar sozinho, além de servi de um facilitador para a aquisição de remédios pelos serviços públicos, com o intuito de reduzir essa prática, bem como seus efeitos colaterais, que fazem “Alices” da vida real tomarem irresponsavelmente substâncias nocivas à saúde de quem não vive no país das maravilhas.