Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 22/06/2020
Na linha de pensamento do sociólogo Pierre Bourdieu, aquilo que é usado como intermediador da democracia, não deve ser usado como instrumento de manipulação. Analogamente à ideia, a indústria farmacêutica tem ido de encontro ao princípio defendido pelo pensador, visto que, durante o fluxo de propagandas de medicamentos nos veículos midiáticos, os atuantes nesse ramo ultrapassam a valorização da saúde coletiva. Nesse sentido, a aquisição de lucro sobre os produtos se sobrepõe ao bem-estar geral e ocasiona no aumento do número de pessoas que se automedicam.
Sob esse prisma, o personagem Narciso, da mitologia grega, continha em si, como característica marcante, o egocentrismo exacerbado. Fora do universo fictício, os responsáveis pela venda de entorpecentes benéficos-na área farmacológica-, muitas vezes, só visam ao acúmulo de capital gerado nessa indústria, agindo como Narcisos contemporâneos. Por isso, na utilização dos meios de comunicação em massa para a propagação de seus produtos, esses indivíduos desconsideram a conscientização da população sobre a consulta médica anterior à compra de medicamentos. Desse modo, aumenta-se o índice de cidadãos banalizadores dos perigos trazidos pela ingestão de substâncias possivelmente nocivas à saúde.
Para além disso, o escritor modernista Manuel Bandeira, no poema “Vou-me embora pra Pasárgada”, refletiu sobre a fuga da realidade por meio da descrição de um local onde predomina o seu ideal de satisfação plena. Nesse contexto, a automedicação da vida, isto é, a tomada de medicamentos de forma autônoma, é realidade na população brasileira, haja vista a ausência da devida informatização sobre os cuidados com determinados entorpecentes somada ao desejo de saída instantânea da dor, bem como expressou o autor. Consequentemente, elevam-se os números de complicações de enfermidades que, quando tratadas pelos profissionais adequados, não são problematizações nacionais.
Em suma, faz-se válida a reflexão sobre os perigos da indústria farmacêutica na sociedade brasileira. Por isso, as esferas midiáticas, visando ao arrefecimento das questões trazidas com a utilização indevida de medicamentos por parte dos cidadãos, devem priorizar o bem-estar coletivo em detrimento da valorização do lucro. Dessa forma, é relevante a conscientização prévia nas propagandas dos produtos por meio da implantação de textos-de nítida visualização-, que informem sobre as precauções e cuidados a serem feitos pelos indivíduos. Assim, o ramo farmacológico será usado como instrumento democrático.