Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 22/06/2020
No filme “Linda de morrer”,uma médica cria uma fórmula que promete retardar as marcas do envelhecimento. Nesse contexto,o medicamento,pela falta de análise adequada,provoca problemas de saúde e a morte da protagonista. Assim como nessa ficção, observa-se que a indústria farmacêutica,ao vender “soluções” para diversas questões,passa a afetar negativamente a vida social. Dessa forma,é válido analisar a ação desse meio no acirramento da dependência química e da automedicação.
Primeiramente,é importante destacar que a saúde social transformou-se em um mercado lucrativo e em expansão que se baseia na propagação do medo. Nesse sentido,a indústria farmacêutica,ao incentivar o uso de remédios,contribui para o crescimento da dependência química. Tal fato exemplifica as ideias do sociólogo Foucault. Segundo esse pensador,os novos mecanismos de poder são responsáveis por moldar o comportamento dos “corpos dóceis”,sujeitos facilmente manipuláveis. Sob essa perspectiva,os meios de comunicação,como representantes dessa estrutura,tornaram-se uma ferramenta das transnacionais para direcionar as necessidades dos indivíduos que não analisam criticamente. À vista disso,ao utilizar a mídia para disseminar o uso de medicamentos,sem,entretanto, apontar os riscos,a necessidade da busca por ajuda adequada e caminhos alternativos e menos invasivos,esse mercado passa a estimular o consumo indiscriminado de produtos e um possível vício.
Ademais,é preciso citar que a atuação dessa indústria facilita e incentiva a automedicação da população. Tal fato está diretamente relacionado à teoria da “Banalização do mal”,da filósofa Hannah Arendt. De acordo com essa especialista,atos praticados constantemente tornam-se banalizados pelos indivíduos,que não mais percebem seus prejuízos. Nessa lógica,observa-se que o uso de remédios sem indicação se transformou em uma prática corriqueira na sociedade. Nesse sentido,as empresas,valendo-se da falta de conhecimento da comunidade e sem se preocuparem com as consequências,passam a estimular e a normalizar esse comportamento. Dessa forma,esse mercado, por disponibilizar diagnósticos virtuais,promoções de remédios e vendas sem prescrição médica,encoraja condutas perigosas e afasta os sujeitos da ajuda profissional adequada.
Logo,o Estado deve buscar limitar a influência da mídia e a dependência química. Isso pode ser feito por meio da divulgação de cartilhas informativas,nas redes sociais, e a adoção de medidas,para que as empresas publiquem,em conjunto com suas propagandas,os prejuízos do uso indiscriminado de remédios e a necessidade de buscar ajuda médica,a fim de conscientizar a população. Ademais,essa instituição deve dificultar a automedicação,mediante uma fiscalização mais rigorosa que limite os produtos vendidos sem prescrição,para que,assim,seja possível diminuir o consumo excessivo.