Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 26/06/2020

A série estado unidense Prison Break tem sua trama desenvolvida a partir de “Michael Escofield”, um engenheiro que é preso e possui o plano de fugir do complexo prisional. O personagem se envolve com “Sara Tancredi” a médica da prisão, que durante a produção mostra seu vício em Morfina - analgésico utilizado para tratar dores severas - e seus perigosos efeitos. Trazendo a ficção para a realidade, nota-se que popularmente, tendo conhecimento ou não dos perigos da indústria farmacêutica, o uso indevido de medicamentos é comum entre a população, chegando a 80% entre os brasileiros, segundo matéria do “portal T5”. Sendo assim, faz-se necessário a construção de uma educação de base para o convívio social, e a regulação midiática dos produtos de drogarias.

Em primeira análise, é válido analisar a quebra de hábitos erroneamente criados na sociedade brasileira para o consumo de remédios por conta própria. Segundo o filósofo prussiano Immanuel Kant “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”, ou seja, a formação educacional é fator determinante na construção de uma sociedade. Ao negligenciar uma educação de ensino básico e superior voltada a construção do convívio social, as instituições educacionais não cumprem a LDB (Lei de Diretrizes e Bases), que determina o ensino voltado para a educação ao longo da vida. Dentre os ensinamentos, o da saúde é fundamental para o bem estar social, a consciência farmacêutica é um desafio no Brasil, país que de acordo com estimativa da ONU (Organização das Nações Unidas) pode levar até 2025 a morte de 10 milhões de pessoas.

Em segunda análise, é de suma importância a atenção a midiatização farmacêutica no Brasil. De acordo com matéria do “Estadão”, as empresas farmacêuticas lideram os investimentos em publicidade no país, visto que a propaganda estimula a automedicação. A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), permite apenas a publicidade acerca de remédios vendidos sem receitas, no entanto, são esses que são mais consumidos, por possuir maior facilidade de compra. Essas empresas utilizam o prestígio de pessoas influentes e famosas para aumentar a credibilidade dos produtos e vendas.

É mister, portanto, que o Ministério da Educação trabalhe em comum com o Ministério da Saúde afim de obter resultados que alterem o cenário atual. Através do projeto “Consciência”, fossem criados canais digitais e presenciais de compartilhamento de informações dos riscos da automedicação e da apresentação de histórias reais de seus riscos, além da criação de um “chat” com médicos, psicólogos e farmacêuticos em formação para a retirada de dúvidas populares e para denúncia de campanhas que hipnotize para o consumo excessivo de remédios. Assim, poderemos nos distanciar da realidade vivida por Sara e por tantas pessoas da vida real.