Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 25/06/2020
A Terceira Revolução Industrial implantou na sociedade uma nova concepção de mundo na qual o capitalismo e o consumismo são as suas principais características. Com isso, as indústrias farmacêuticas investem cada vez mais em propagandas que estimulam a compra de medicamentos, porém a automedicação junto com a hipermedicação ainda mais presente na sociedade põe em cheque os perigos desse meio.
De acordo com o educador Paulo Freire, a educação brasileira é tida como “bancária”, que é a pedagogia da passividade e da repetição. Dessa forma, a automedicação se torna recorrente no meio social, visto que as pessoas estão menos crivas com relação a informação e assim testes de internet em que se colocam os sintomas e recebe o diagnóstico sem passar, na maioria da vezes, por um especialistas se tornam parte da realidade social. Além disso, a venda de medicamentos sem a receita médica favorece na manutenção dessa realidade na indústria farmacêutica, já que não se cobra um diagnóstico preciso para poder vender o medicamento para uma pessoa.
Somado a isso, segundo o filósofo Mário Sergio Cortella, a mídia hoje é vista como um “corpo docente”, ou seja, é um meio de formar opiniões e de se obter informações, assim o investimento da indústria farmacêutica em meios de atrair a atenção dos clientes com a criação, muitas vezes, de novos “tipos de doenças” que estimulem a venda de mais medicamentos favorece na hipermedicação. Tal fato acontece, pois o incentivo a consumir cada vez mais remédios junto com o imediatismo presente no meio social ajuda na manutenção dessa realidade, uma vez que fomenta na população a ideia de que não se pode sentir um mal estar e ficar sem tomar um remédio.
Faz-se necessário, portanto, a contribuição do ministério da educação em um ensino que vise formar pessoas mais críticas e que saibam os perigos que ocorrem na indústria farmacêutica, por intermédio de palestras com especialistas no assunto que estimulem os alunos a serem sujeitos de suas ideias e que forneçam informações sobre o tema em questão, a fim de que a automedicação não seja mais tão recorrente no meio social e ainda a ajuda de empresas voltadas para a tecnologia em aplicativos que mostrem os perigos do consumo exagerado de medicamentos, por meio de jogos educativos que transpareçam os malefícios que a hipermedicação traz para o corpo, para que as pessoas não se acumulem de remédios e as farmácias não sejam o ponto de partida de “novas doenças”.