Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 25/06/2020
De acordo com o sociólogo Antônio Cândido, a sociedade brasileira vivencia uma contradição humana, ou seja, ao mesmo tempo que atingiu o clímax de sua racionalidade técnica e domínio da natureza, chegou ao auge da barbárie. Essa teoria concretiza-se, na análise da indústria farmacêutica, visto que, apesar de possuir a capacidade tecnológica para curar grande parte das doenças emergentes, vem complicando o quadro de saúde dos cidadãos. Isso ocorre tanto em decorrência da alienação sintomática, feita pelo marketing farmacêutico, quanto devido ao uso indiscriminado de medicamentos se permitido no Brasil.
Em primeiro plano, para obter um maior lucro, as drogarias constroem sua demanda através de propagandas, que fazem o consumidor achar que precisa de determinado remédio, quando, na verdade, ele só está intoxicando-se, já que não há doença alguma, o que o levará a, de fato, ter problemas. Esse ciclo vicioso, pode ser explicado pelo filósofo, Michel Foucault, o qual afirma que no cotidiano dos “corpos dóceis”, indivíduos alienados, existe poderes que os disciplinam a ponto de fazer com que legitimem discursos abusivos. Assim, as grandes transnacionais farmacêuticas agem como uma força disciplinadora, que semeia o medo às doenças, no intuito de adoecer psicologicamente os indivíduos, para que comprem mais remédios e elas possam ter mais lucro.
Em segundo plano, a facilidade de medicar-se associada a alienação midiática de ver o medicamente como uma solução rápida, faz com que brasileiros ao mínimo sintoma de dor ingiram fármacos sem recomendação médica. Nesse sentido, é também defendido por Foucault que o ser humano é uma construção “biopsicopolítica”, ou seja, no hodierno contexto, é sabido que há a mídia agindo no psicológico do indivíduo, há o seu contexto biológico, entretanto, uma ausência de força política para reverter essa situação. Culminando, dessa forma, no desgaste da saúde do cidadão, já que ele recebe mais incentivo para consumir medicamentos do que tratar-se com bons hábitos alimentares, exercícios físicos e acompanhamento médico.
Portanto, diante dos perigos instaurados pela indústria farmacêutica, é preciso que o Ministério da saúde conscientize a população. Isso deve ser feito por meio de palestras nos centros educacionais, dadas por proficionais da saúde para alunos e responsáveis, no intuito de explicar-lhes como de fato identificar enfermidades e os perigos de consumir os discursos da mídia farmacêutica. Ademais, o governo deve impedir a automedicação, fazendo entrar em vigor uma lei em que medicamentos apenas devem ser vendidos com prescrição médica, havendo multa consideravél às farmácias que não cumprirem. Assim, baseado em Cândido, a barbárie não alcançara a sociedade tecnológica.