Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 25/06/2020

Na História, a Penicilina, o primeiro antibiótico descoberto pelo homem, foi um dos maiores avanços na tecnologia médica, uma vez que possibilitou o tratamento de várias doenças bacterianas. Dessa forma, criou-se uma indústria de medicamentos que, inicialmente, tinha como objetivo primordial o salvamento de vidas humanas. Hodiernamente, observa-se que as fábricas farmacêuticas, geralmente, estão focadas apenas no lucro, indo,assim, de encontro ao seu antigo ideário de salvar pessoas. Nesse contexto, percebe-se que tamanha problemática têm dois perigos primordiais: o crescimento da automedicação e a elevação na taxa de mortalidade de enfermidades negligenciadas.

A priori, o crescimento da automedicação é uma das consequências basilares da atual indústria farmacêutica. Sob esse viés, tem-se o seriado, baseado em fatos, “Sob Pressão”, o qual mostra a facilidade com que inúmeros medicamentos, especialmente os analgésicos, podem ser comprados pelos cidadãos leigos, sendo, até mesmo, dispensada a necessidade da prescrição médica para a conclusão da compra. Outrossim, também na série, é demonstrado o grande número de propagandas e anúncios publicitários que incentivam a ingestão desses princípios ativos. A partir desses contextos, nota-se a presença da busca exacerbada pelo lucro das empresas de medicamentos, visto que, ao possibilitar a compra de remédios sem a instrução de um profissional competente, a chance do desenvolvimento de doenças devido ao mau uso, como a automedicação, é enorme.

A posteriori, o aumento do número de mortes por mazelas consideradas não lucrativas, como a malária, é o outro efeito cardinal da indústria farmacêutica moderna. Sob esse prisma, exprime-se, novamente, o programa “Sob Pressão”, o qual ilustra que as empresas de medicamentos suspendem a produção e investimento nas doenças com pouca margem de lucro, como a leptospirose, porque essas enfermidades atingem, principalmente os indivíduos com baixo poder aquisitivo. Percebe-se, então, que tamanha atitude é precária, absurda e catastrófica, haja vista que, de acordo com o IBGE, essas mazelas, especialmente relacionadas ao saneamento básico, matam diversos tupiniquins todos os anos. A partir disso, é notório que o Estado rompe com os artigos ligados à saúde da Constituição Cidadã, já que, mesmo após décadas, o número de óbitos de tais enfermidades ainda permanece alto.

Desta feita, os perigos da indústria farmacêutica devem ser solucionados. Para tanto, é mister que a escola, principal agente educacional,incentive o uso da medicação com prescrição médica, mediante a criação de dinâmicas adequadas à faixa etária, como as aulas temáticas, com o escopo de evitar a automedicação. Ademais, urge que o Ministério da Saúde invista no tratamento das doenças negligenciadas, por meio da pesquisa nas universidades com o desígnio de evitar a sua propagação.