Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 22/06/2020

No filme Amor e Outras Drogas,o representante de medicamentos Jamie Randall por meio da dissimulação, ao forçar médicos a comprarem remédios da marca que ele vende,apresenta ao espectador como funciona a indústria farmacêutica,a qual revela-se em um cenário hipócrita onde os remédios são tratados de forma puramente mercantilista.Consoante à ficção, a indústria farmacêutica age de forma análoga a narrativa e,impulsionada pelo capitalismo e pela ascensão tecnológica, apropria-se de artifícios ilegítimos para induzir o consumo de medicamentos em larga escala e sem orientação médica, suscitando, assim, uma crise de saúde mundial.

A priori, pode-se inferir que o ideal de acumulação de capital por parte das indústrias farmacêuticas detém protagonismo na formação do quadro problemático.Destarte,obtendo alicerce na corrente positivista do século XIX, o progresso atrelado ao desenvolvimento científico e econômico, configurou estímulo à consolidação de um sistema que pretende adquirir consumidores, deixando em segundo plano os aspectos humanos, como a qualidade de vida do público-alvo ou os riscos do produto oferecido. Nessa conjuntura, as indústrias de fármacos, visando a lucratividade máxima, vendem não apenas remédios, mas sugestionam sintomas em rede e, por meio de publicidade, atraem consumidores e criam hipocondríacos.

Outrossim,o advento da internet e sua alta densidade de informação contribuem para a automedicação fomentada pela indústria farmacêutica, tornando recorrente a dispensa do auxílio profissional, substituído pelo conhecimento exposto em rede.Atualmente, é notória a presença de remédios ofertados à população e promovidos de forma receptiva pela internet,sendo esta um instrumento intensificador da influência publicitária preexistente.Contudo,indivíduos que se automedicam correm riscos de sofrer efeitos colaterais, fazer diagnósticos errados que comprometem a saúde e exceder doses pela falta de assistência profissional, que não é legitimamente suprida por fontes generalistas da internet.

Portanto, o Conselho Federal de Medicina deve coibir parcerias abusivas com os representantes das indústrias em questão,isso deve ser feito pois meio de uma revisão no Código de Ética Médica que limite as bonificações recebidas,sob pena de suspensão da carteira médica,de modo a impedir a prática baseada em interesses particulares. Ademais, o Ministério da Saúde, em parceria com a Agência de Vigilância Sanitária, deve promover campanhas mediante publicações nas mídias sociais que expliquem a importância do consumo consciente de medicamentos,a fim de inibir seu uso indiscriminado.Logo, a relação das pessoas com esse meio industrial será mais transparente e segura.