Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 26/06/2020
Com a chegada da Revolução Industrial no século XVIII, o capitalismo expandiu-se para além do âmbito das trocas comerciais, assumindo proporções até então inimagináveis. Através dessa lógica de mercado, tudo há de ser mercantilizado, inclusive a saúde. Nesse sentindo, a indústria farmacêutica é particularmente perversa: se por um lado ela promove, de início, um aumento do bem-estar social, por outro, literalmente cria necessidades medicamentosas na população e estimula a automedicação.
De acordo com o sociólogo alemão Karl Marx, em “O Capital”, o capitalismo industrial não existe para atender às necessidades da sociedade; ao contrário, ele cria novas necessidades, com o objetivo único do lucro. Aplicando essa ideia, nos últimos anos, a indústria farmacêutica assumiu a estratégia de “vender” sintomas, por meio dos seus anúncios publicitários nos mais variados veículos de comunicação. Desse modo, ao destacar queixas comuns entre a população, como dor de cabeça, má digestão e tensão muscular, e apresentar, em seu produto, a solução para elas, cria-se a necessidade de consumir remédios, muito embora as causas para tais sintomas continuem inexploradas. Consequentemente, a saúde é prejudicada, afinal, tais medicamentos são apenas paliativos e precisam ser ministrados com frequência, enquanto a raiz do problema inicial é ignorada.
Além disso, o próprio ato da propaganda estimula a automedicação. Isso é ainda mais escancarado nos dizeres “se persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado”, sinalizando que o profissional deverá ser procurado somente após a ingestão do remédio. Dito isso, uma pesquisa lançada pelo Conselho Federal de Farmácia descobriu que mais de 70% dos brasileiros se automedicam. Essa realidade se mostra preocupante, uma vez que, além de não estarem tratando a causa dos seus problemas de saúde, as pessoas correm sérios riscos de intoxicação, efeitos colaterais inesperados ou mesmo interações medicamentosas indesejadas.
Logo, cabe ao Poder Legislativo enfrentar essa situação, por meio de uma nova lei que proíba comerciais de remédios em todos os meios de comunicação, com o objetivo de dar fim a esse ciclo vicioso imposto pela indústria farmacêutica. Ademais, o Ministério da Educação deve atuar conscientizando a população a respeito dos riscos da automedicação e aconselhando a visita ao profissional de saúde competente, por intermédio de na televisão e na internet, a fim de garantir a integridade da saúde de todos, impedindo-a de virar um interesse de mercado.