Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 25/06/2020

Na série televisiva House, o personagem Gregory House utiliza-se da automedicação compulsiva no combate à dor crônica causada por uma antiga necrose muscular, e devido à esse uso indiscriminado, ele necessita ser internado para desintoxicação. Não distante da ficção, esse problema muito recorrente nos dias atuais é um reflexo dos perigos da indústria farmacêutica visto que além desta causar a automedicação devido ao grande número de comerciais televisivos, também é facilitada pelo fácil acesso da população a esses medicamentos.

A partir do invento da televisão, em 1946, as propagandas se adequaram a esse novo formato em vista de um maior alcance midiático, sendo assim, desde o século anterior o aperfeiçoamento desta forma de divulgação trouxe a alienação e o controle sobre o modo de vida das pessoas. Dessa forma, a publicidade distribuída em forma de ‘inofensivos’ comerciais desencadeou o aumento da automedica-    ção pela população brasileira, afinal com propagandas como “tomou doril, a dor sumiu” o indivíduo é convencido da não necessidade da consulta médica, principalmente com o déficit temporal que a sociedade enfrenta nos dias modernos. Assim, como teorizado por Theodor Adorno, filósofo alemão do século 20, as estratégias midiáticas manipulam o comportamento dos indivíduos, de mesma forma que as propagandas farmacêuticas incentivam a automedicação.

Além disso, outro grande perigo da indústria farmacêutica se encontra no fácil acesso a esses medi-

camentos, como muitas vezes ocorre promoções e venda de cartelas tamanho família, incentivando assim, a automedicação. Esse processo, que muitas vezes é visto como alívio rápido de algum sintoma, é responsável pela adesão de efeitos colaterais, necessitando assim de outros remédios para tratar tais consequências, formando assim um ciclo interminável. Dessa maneira, esse processo pode ser analisa-

do a partir da teoria da Banalização do Mal, de Hannah Arendt, na qual a sociedade aceita e adere ao cotidiano uma ação prejudicial tanto ao indivíduo, quanto à toda população, afetando assim não apenas a saúde dessa geração, como também a forma da prática da medicina nas próximas décadas.

Portanto, é necessário que o Ministério da Saúde em conjunto com a Mídia elaborem regulamentos que proíbam a comercialização de medicamentos acompanhados de frases de incentivo à automedica-

ção, como ocorre em diversos medicamentos para dor, de forma que, se descumprida as regras, a indústria produtora daquele remédio será multada. Ademais, o Ministério da Saúde deve criar leis proibitivas de promoções e venda de medicamentos sem prescrição médica, sendo permitido apenas àqueles referentes à dor, contudo apenas 2 comprimidos por CPF, de forma que essas ações sejam capazes de reduzir o risco da automedicação causada pela indústria farmacêutica presente no Brasil.