Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 21/06/2020

Seja com os muçulmanos, na idade média, e suas técnicas de criação de medicamentos de base natural, até os grande conglomerados farmacêuticos atuais, como a Bayer e a Novartis; fica evidente a evolução na produção de medicamentos. No entanto, atualmente, essa evolução colocou a industria farmacêutica numa corrida por imensos lucros o que, por sua vez, revela a promoção à automedicação  e a falta de cuidados no desenvolvimento dos medicamentos como seus principais perigos.

A princípio, a matriz do problema é evidenciada ao se analisar que a indústria de medicamentos está diretamente relacionada com a auto medicação no país. Isso acontece quanto fica perceptível que o atual modelo das corporações farmacêuticas convergem para um sistema de produção altamente lucrativo, colocando esses grandes conglomerados industriais no centro do mercado financeiro. O problema disso é que, devido a essa busca incessante por lucros cada vez mais altos, essas empresas se lançam, aos olhos do consumidor, por meio de forte apelo publicitário, como produtoras de “milagres em pequenas doses” o que, por sua vez, induz ao perigoso consumo de remédios. Esse processo resulta, segundo o filósofo Bauman, numa “liquidez” em que as inovações e soluções prometidas pela indústria são constantemente atualizadas “ad infinitum” assim como a busca perigosa dos consumidores por essas promessas, resultando num consumismo desenfreado de medicamentos.

Além disso, o problema se agrava ainda mais ao se analisar o descaso da indústria na produção de mais testes antes da liberação dos fármacos. Isso acontece devido ao modelo capitalista de produção, o qual coloca o tempo em sinonímia ao lucro e, desse modo, a liberação de medicamentos novos em curto prazo é traduzida em maior rentabilidade, mesmo que alguns testes sejam deixados de lado. Um exemplo prático disso foi a produção da Talidomida, medicamento que prometia revolucionar o bem estar das gestantes com a eliminação de desconfortos característicos do período. Anos após o seu sucesso de vendas, ficou comprovado que, o aumento dos casos de má formação congênita aconteceu devido a testes negligenciados por causa da corrida pelo seu lançamento. Isso revela o perigo do descaso no desenvolvimento de medicamentos.

Portanto, fica evidente a necessidade de acabar com os perigos da indústria farmacêutica. Desse modo, cabe ao Estado regulamentar a produção e a venda de medicamentos no Brasil. Isso deve ser feito por meio da fiscalização das campanhas publicitárias proibindo aquelas com forte apelo mercadológico para evitar a prática da automedicação. Além disso, é preciso que o Estado também aumente a fiscalização da produção por meio da Anvisa, aumentando a quantidade de testes próprios antes do repasse ao público para assegurar mais um nível  de segurança à população.