Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 25/06/2020

No livro memórias Póstumas de Brás Cubas, o personagem principal discorre sobre sua ideia de criar um remédio que cure os machucados emocionais. Ele evidenciou como seria sua publicidade e que todos iriam querer comprar o balsamo.Fora da ficção machadiana, a aquisição de medicamentos  sem prescrição médica, assim como os comercias que incentivam o consumismo, muitas vezes desnecessário, são realidades no Brasil que exemplificam os perigos da indústria farmacêutica.

Primeiramente, é válido evidenciar que o uso errôneo de medicamentos facilita a evolução da resistência dos patógenos e, consequentemente, gerando doenças mais contagiosas e letais. Essa afirmação é exemplificada pelas infecções hospitalares listadas pela Organização Mundial da Saúde. Nessa linha de raciocínio, a compra e consumo de remédios sem o aconselhamento de um profissional é arriscado, pois aumenta a resistência do corpo do indivíduo, o forçando a tomar fármacos cada vez mais fortes para ter o efeito esperado e aumenta o espaço para replicação dos microrganismos mais adaptados.

Outrossim, os comerciais de medicamentos  amplamente divulgados nos meios de comunicação  visam aumentar a compra dos produtos. No entanto, em uma sociedade funcionalmente analfabeta, como o Brasil,  essa publicidade leva a compra e estoque para esperar a necessidade de usa-lo. Desse modo, segundo dado vinculado a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, cerca de 14 toneladas de remédios vencem e são descartados por ano. Assim, milhões de reais são investidos pela população em bens que não chegarão a ser utilizados. Isso demonstra uma deficiência na educação e escolarização da sociedade em questão.

Portanto, é necessário que Organizações não Governamentais desenvolvam e disseminem uma campanha que vise amenizar os perigos da indústria farmacêutica no Brasil. Isso só será possível por meio de palestras nas comunidades e instituições de ensino com profissionais da saúde e economistas  com intuito de comover a população a cerca dos riscos da automedicação ou da compra para estoque de medicamentos. Além disso é importante que tal projeto estimule a sociedade a cobrar do Estado a revisão da metodologia de lecionamento nas escolas e universidades com intuito de minimizar o analfabetismo funcional no país. Dessa forma os indivíduos terão melhor senso crítico para tomar suas decisões e evitar problemas estruturais, principalmente os relacionados a área da saúde.