Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 19/06/2020
Uma postura destituída de empatia perante o sofrimento alheio. Essa é a imagem presente no quadro ``O grito´´, do pintor Edvard Munch, pois, na construção dessa arte expressionista, vê-se, ao fundo da tela, personagens que se mostram indiferentes à angústia evidenciada pela figura humana do plano central. Entretanto, essa cena não se limita ao âmbito artístico, já que as vítimas dos perigos da indústria farmacêutica vivem algo semelhante, tendo em vista que elas têm sido esquecidas por alguns setores governamentais e sociais. Sob essa ótica, cabe analisar os aspectos políticos e culturais que envolvem essa questão no Brasil.
Primeiramente, pontua-se que o Poder Público mostra-se negligente ao não combater os perigos da indústria farmacêutica. Isso porque há, por parte dos órgãos executivos, uma ineficiência quanto ao processo de conscientização, uma vez que falta informar a população sobre os perigos que a automedicação, sem indicação devida, pode desencadear, o que prejudica o direito à saúde. Sendo assim, nota-se que o governo não tem garantido o bem-estar de todo o coletivo, demonstrando, dessa forma, ausência de consolidação dos princípios fundamentais, alicerçados nos ideais iluministas do século XVIII em prol da democracia.
Também, observa-se que o silenciamento social frente aos perigos da indústria farmacêutica apresenta-se como fator agravador desse quadro negativo. Contudo, parte da população tem demonstrado certa inércia diante desse cenário, por acreditar que são majoritários os segmentos políticos contrários à criação de leis mais rígida, uma vez que a legislação atual, não tem combatido a venda de medicamentos tarja preta sem receitas médicas, comprometendo, então, a erradicação de enfermidades. Recorrendo aos estudos da cientista política Elisabeth Noelle-Neumann para explicar esse fenômeno, constata-se que, para evitar conflitos com grupos dominantes alguns indivíduos tendem a fortalecer uma espiral do silêncio, permitindo, assim, a manutenção de alguns entraves.
Ressalta-se, portanto, que os perigos da indústria farmacêutica devem ser superados. Logo, é necessário exigir do Estado, via debates em audiências públicas, uma conscientização social, priorizando palestras educativas ministradas por médicos, com o objetivo de esclarecer os perigos da automedicação. Ademais, é essencial estimular a população, por meio de campanhas produzidas pela Organização Mundial da Saúde, sobre a necessidade de haver um maior engajamento coletivo para a ruptura de discursos dominantes, potencializando a elaboração de um ordenamento jurídico mais rigoroso que prevê multas elevadas para drogarias que vendem medicação sem prescrição. Desse modo, o grito - diferentemente do da obra de Munch - poderia romper o silêncio dos resignados.