Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 25/06/2020
O avanço das inovações farmacêuticas permitiu não só uma maior expectativa de vida, mas também uma melhor qualidade dela. Entretanto, essa indústria também oferece perigos, uma vez que é capaz de exercer controle sobre a sociedade e promover a auto-medicação.
Primeiramente, o filósofo Michel Foucault afirma que aqueles que possuem o poder podem manipular aqueles que não o possuem, o “corpo dócil”. Assim, quando uma organização detém a produção de remédios, ela pode “docilizar” uma sociedade, a manipulando por meio do controle da oferta e preço desses medicamentos, por exemplo. Dessa maneira, a indústria farmacêutica tem a capacidade de manipular uma sociedade, uma vez que torna a vida dos cidadãos dependente de um setor, o que se revela muito perigoso.
Além disso, a intensa mercantilização dessa indústria oferece outro risco: o da auto-medicação. Assim, por depender das vendas, as farmácias utilizam de estratégias para aumentar a receita, frequentemente, em detrimento da segurança dos clientes, como o relaxamento da exigência das receitas médicas para a aquisição de medicações, por exemplo. Esse cenário, cria nos clientes, pois, sociedade, a sensação de autonomia em relação à auto-dosagem, ação que prejudica o futuro tratamento de doenças nesses indivíduos. Dessa maneira, a indústria farmacêutica coloca em risco a vida dos cidadãos por incentivar, de maneira subliminar, a auto-medicação.
Portanto, é evidente que o controle da sociedade e a auto-medicação são os principais perigos da indústria farmacêutica. Então, o Governo Federal deve combater o monopólio da produção de fármacos, por meio da criação de laboratórios estatais, a fim de evitar a “docilização” da sociedade por parte da indústria dos medicamentos. Ademais, os laboratórios privados devem combater a auto-medicação, por meio da exposição dos efeitos colaterais na embalagem dos medicamentos, com objetivo de desencorajar a auto-dosagem.