Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 25/06/2020

No contexto literário do século XX, o livro “Admirável mundo novo”, do escritor Aldous Huxley, preconizou a chegada da indústria farmacêutica como uma protagonista da dependência psico-social. Apesar da obra não se enquadrar como profética, percebe-se que essa degradante situação se assemelha, em muito, com a realidade atual. Por tal motivo, é importante discutir sobre o “gatilho consumista” de tal ramo farmacológico e a pseudociência envolvida.

Primeiramente, é válido discutir sobre o perigo econômico. A partir disso, segundo a Associação da Indústria Farmacêutica e Pesquisa (Interfarma), a venda de remédios e serviços de farmácia movimentaram, “apenas”, R$ 12 bilhões na economia brasileira. Nesse mesmo estudo, não há previsão de queda, ou seja, tornou-se a nova tendência mundial. Essas estatísticas revelam, infelizmente, que as movimentações econômicas seguem e se tornaram reféns dos desejos desenfreados das empresas “de saúde”. Pode-se dizer, desta forma, que se o Brasil deseja se ver livre dos perigos da indústria farmacêutica, deve-se pensar nessa “dependência financeira”.

Ademais, cabe pontuar as manipulações pseudocientíficas e o risco psicológico. Nesse prisma, o conceito de “Behaviorismo”, proposto pelo estudioso John Watson, afirmou que o comportamento pode ser analisado por uma ótica objetiva, conforme o estímulo e a resposta gerada. Com base nisso, os remédios cumprem o papel de “gatilhos” comportamentais os quais originam uma constante necessidade no consumidor. Tal fato mostra, tristemente, que a “indústria farmacêutica é tudo, menos uma instituição filantrópica”, como expôs, de maneira explícita, o professor Fernando Italiani. Outrossim, é de extrema importância que as autoridades públicas desenvolvam programas, também, relacionados à “Psicologia da Farmácia”.

Nota-se, portanto, a urgência em criar medidas para mitigar tal problemática. Para tanto, urge que o Ministério da Economia crie o “Fundo de Investimentos para Saúde”, por meio da contratação de economistas e empresários com um salário de R$ 5000 reais por mês, a fim de que negociem o investimento máximo concernente à indústria farmacêutica. Juntamente, o Ministério da Saúde deve iniciar um programa intitulado “Cidadania livre”, por intermédio de verbas públicas, com a finalidade de retirar, da dependência, os brasileiros que se sentem presos, diferentemente do ocorrido na visão distópica do “Admirável mundo novo”.