Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 20/06/2020
Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão dos perigos ofertados pela indústria farmacêutica, que, no decorrer da transitoriedade do tempo, em decorrência da priorização de interesses particulares e da venda indiscriminada de medicamentos, tem posto em risco a vida de milhares de indivíduos. Diante dessa perspectiva, percebe-se a consolidação de um grave problema em virtude da priorização de proveitos financeiros e da insuficiência legislativa na venda de medicamentos indiscriminados.
Sob esse viés, pode-se apontar como empecilho à consolidação de uma solução, a supremacia de interesses financeiros. Nesse contexto, o filósofo da Escola de Frankfurt, Theodor Adorno, cunhou o conceito de Indústria Cultural que primazia a cultura capitalista, a cultura da lucratividade, e secundariza o corpo social. Diante dessa perspectiva, os perigos ofertados pela indústria farmacêutica florescem em virtude da priorização de interesses financeiros em detrimento à saúde da população. Assim, tem-se a objetificação de sujeitos e de práticas sociais como consequência, o que finda por agravar a problemática em função da “venda de sintomas” inexistentes, em pró da lucratividade por meio das mídias sociais.
Outrossim, a insuficiência legislativa ainda é um grande impasse no que tange aos problemas da indústria de fármacos . Nessa perspectiva, a Constituição Federal de 1988 é a lei básica que busca garantir a integridade dos seres vivos e do ambiente em que estão inseridos. No entanto, essa legislação não tem sido suficiente no que se refere à questão da venda indiscriminada de produtos farmacêuticos, uma vez que o problema continua atuando fortemente no contexto atual, provocando diversos malefícios à população. Assim a lei sendo ineficiente, dificulta-se a resolução desse impasse, permitindo a perpetuação da problemática.
Portanto, para que os perigos da indústria farmacêutica deixem de fazer parte da realidade brasileira, medidas precisam ser tomadas. Dessa forma, faz-se necessária a realização de campanhas realizadas pelo Governo Federal, em associação com a CONAR, através das mídias sociais, que informem à população acerca dos riscos inseridos na compra de medicamentos de forma indiscriminada, com o intuito de conscientizar os cidadãos a respeito do possíveis danos e evitar o crescimento de indústrias de fármacos que visam unicamente a lucratividade. Sendo assim, a população atuará ativamente na mudança da realidade brasileira.