Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 26/06/2020

Segundo o filósofo francês Michel Foucault, existe um poder sobre o corpo social, dotado de saberes e discursos, que legitima sua soberania e obediência. Nesse sentido, hoje, no Brasil, como consequência dessa docilização, a sociedade é diariamente direcionada ao consumo de diversos produtos das mais variadas indústrias. Assim, tendo a indústria farmacêutica como uma das mais lucrativas do mercado -de acordo com a revista Abril-, torna-se necessário combater seus perigos, como o estímulo ao consumo de remédios e à automedicação.

A priori, esse consumo excessivo dos remédios se dá devido ao exagero de propagandas e à falsa ideia de necessidade que elas carregam. Essa mesma ideia, atrela-se ao conceito de fetichização da mercadoria abordado pelo filósofo alemão Karl Marx, que se baseia no princípio de indispensabilidade dos produtos, fazendo com que as pessoas os adquiram sem uma real necessidade. Desse modo, a indústria farmacêutica apela aos seus consumidores com bastantes promessas e promoções, sejam elas formas de driblar sintomas ou, até mesmo, o próprio peso.

Em consequência disso, somado à falta de fiscalização das farmácias, pode-se classificar a automedicação como um perigo crescente da indústria farmacêutica. Como prova, pesquisas realizadas pelo site G1 mostram que aproximadamente 77% da população brasileira se automedica, ou seja, quase toda ela corre risco por causa de um possível uso indiscriminado dos remédios. Consequentemente, essas pessoas podem ter seu organismo comprometido, o uso de anti-inflamatórios, por exemplo, pode sobrecarregar os rins, ou até mesmo outras patologias podem ser mascaradas por uso excessivo de outras medicações.

Torna-se , pois, de extrema urgência cessar os perigos da indústria farmacêutica, pois se trata de um problema de saúde pública. Dessa forma, cabe ao Estado promover fiscalizações mensais nas farmácias -públicas e privadas-, a fim de evitar a venda indiscriminada dos remédios, e multar os estabelecimentos que não adotarem essas medidas. Além disso, cabe também ao Estado junto com a agência reguladora de propagandas estabelecer limites de anúncios de medicamentos e inspecioná-los com o intuito de enfraquecer o poder existente sobre o corpo social e garantia a ele sua devida autonomia.