Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 26/06/2020
A Segunda Guerra Mundial trouxe diversas inovações que contribuíram para a formação da sociedade atual. A exemplo disso, tem-se os medicamentos que, juntamente ao avanço da medicina, fomentaram melhorias na saúde mundial. Entretanto, atualmente, a indústria farmacêutica, visando ao lucro, tem corroborado para o agravamento de problemas sociais. Diante disso, a conduta da mídia como estimuladora do consumo de fármacos é a principal causa do perigo advindo da indústria de medicinais: o uso indiscriminado dos medicamentos.
De início, analisa-se a utilização da mídia propagandista pelas indústrias farmacêuticas. Destaca-se, assim, a influência exercida pelas mensagens publicitárias, as quais, para trazer lucros às indústrias, estimulam o consumo e criam novas necessidades. Dessa forma, segundo a teoria do Habitus, do filósofo Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e reproduzidos pela sociedade. Tais padrões, referindo-se aos medicamentos, são implantados pelas campanhas publicitárias, as quais tratam com superficialidade o uso de pílulas medicinais e contribuem para a concepção de que medicamentos são sinônimos de saúde e felicidade. Afinal, os produtos das indústrias farmacêuticas são demasiadamente utilizados como uma válvula de escape da sociedade, assim como era Pasárgada, lugar fictício do poema do célebre escritor brasileiro Manuel Bandeira.
Por conseguinte, a partir da manipulação midiática, observa-se o uso indiscriminado de medicamentos pela população. Acerca disso, o médico Dante Senra afirma que “temos tomado medicamentos que não precisamos para tratar doenças que não temos”. A partir desse viés, é frequente que situações naturais do cotidiano sejam transformadas em situações doentias, o que recai, ao final, no uso de medicamentos. Nesse contexto, a utilização banalizada e generalizada das medicações acarreta diversas implicações, tais como a dependência e os efeitos colaterais. Dessa maneira, a habituação ao uso de drogas medicinais, agravada pela automedicação, é um grave problema social e de saúde,sendo necessária a desconstrução do papel dos remédios na modernidade.
Em suma, os perigos da indústria farmacêutica e seus precedentes devem ser combatidos. Portanto, urge que o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação, juntamente ao Ministério da Saúde, estabeleça regras e limites para a propaganda de medicamentos, incluindo, ainda, os seus riscos e reais funcionalidades. Isso deve ser feito por meio de legislações que restrinjam as propagandas que idealizam as medicações e as banalizam, devendo fornecer informações verídicas sobre o produto. Assim, o objetivo de promover compras conscientes e desconstruir a ideia do medicamento como “refúgio” será alcançado a fim de que Pasárgadas sejam dispensáveis.