Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 20/06/2020

A personagem Emília, das obras infantis do escritor Monteiro Lobato, é uma boneca que tomou uma pílula, a fim de se transformar em uma pessoa, pois antes não conseguia fazer nada e almejava ter um alto rendimento nas suas ações cotidianas. Fora da ficção, muitos indivíduos se assemelham à Emília, posto que para garantir um aproveitamento do tempo, com a supressão de qualquer dor, se automedicam regularmente. Isso é viabilizado com o desserviço feito pela indústria farmacêutica, pois além de não conscientizar o consumidor, eficazmente, sobre os perigos da automedicação, incentiva-a,  por meio de propagandas, a fim de gerar cada vez mais lucro, a partir de um capitalismo alienador.

A princípio, segundo o psicanalista Freud, o homem vive em busca do prazer e na esquiva da dor. A partir dessa ideia, percebe-se que a automedicação está atrelada ao desejo do indivíduo em possuir um alto rendimento nas suas atividades, eliminando as possibilidades de doença ou sintomas. Isso está relacionado à cultura “agorista” da pós-modernidade, que incentiva a maximização do tempo e maior velocidade nas ações. Essa “maquinização” humana é favorecida com a normalização do uso de medicamentos indiscriminado, auxiliada com a falta de conscientização da indústria farmacêutica em informar e controlar o consumo excessivo de remédios sem, na maioria das vezes, prescrição médica. Por isso, é imprescindível que tais empresas cuidem, prioritariamente, da qualidade de vida do consumidor, orientando-o, eficazmente, sobre a importância de procurar a ajuda de profissionais da saúde, com a persistência de alguma dor, e ter um acompanhamento regular com esses capacitados.

Outrossim, segundo o filósofo Foucault, existem poderes na sociedade que disciplinam os corpos, direcionando os seus comportamentos. Dessa forma, percebe-se que a incessante circulação de propagandas que incentivam a compra de medicamentos indiscriminada está atrelada a um capitalismo alienador, caracterizado pela busca excessiva de lucros e padronização de costumes. Com isso, percebe-se o aumento de pessoas se automedicando, que são 79% dos brasileiros, segundo o Instituto de Pós-graduação do Mercado Farmacêutico. No entanto, os perigos de ingerir remédios, sem prescrição médica, são grandes, pois mesmo que a pessoa tenha um quadro de saúde estável, ele pode ser modificado com o uso de medicamentos usados incontrolável e inadequadamente.

Portanto, para que haja um consumo de medicamentos de forma correta, é necessário que o Ministério da Saúde com a mídia televisiva, por ser um meio de comunicação de massa, conscientize a sociedade sobre a importância de se medicar adequadamente, com o acompanhamento de um profissional da saúde. Isso deve ser feito por intermédio de propagandas em todos horários para que alcancem mais pessoas. Assim, o número das “Emílias” do país poderá vir a diminuir cada vez mais.