Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 19/06/2020

Segundo o Conselho Federal de Farmácia (CFF), 77% da população brasileira é adepta à automedicação. Nesse sentido, é indubitável que a indústria farmacêutica é muito importante para toda a sociedade, entretanto, essa apresenta diversos perigos à saúde pública. Dentres os quais, destaca-se a seleção de superbactérias junto ao desenvolvimento de doenças crônicas.

A princípio, segundo o filósofo Pierre Bourdieu, o homem é um agente que nasce em um meio anterior e exterior ao seu corpo. Nessa pespectiva, é incontrovertível que o descobrimento do antibiótico em meados do século XX foi um fator de grande importância para a sociedade global, no entanto, o uso indiscriminado desse tipo de medicamento resultou na seleção de bactérias super-resistentes que atuam na sociedade nos dias de hoje. De certo, tal fato é resultado de uma indústria farmacêutica que, impulsionada pelo mercado, passou a apropriar-se de artifícios ilegítimos de produção e venda de medicamentos em larga escala e sem prescrição médica, o que gerou essa crise em todo o âmbito global. Dessarte, apesar de importante na manutenção da saúde pública, essa indústria visa a lucratividade máxima incentivada pelo sistema,  o que corrobora seus perigos.

Ademais, com o advento da Revolução Técnico-Ciêntífico-Informacional, a internet adquiriu um grande valor na sociedade devido a sua alta densidade de informações. Nesse ínterim, os mecanismos de pesquisa da rede tornaram-se aliados da automedicação fomentada pela indústria farmacêutica, pois muitos indivíduos recorrem a esses, dispensando o auxílio profissional. Certamente, a venda indiscriminada e facilitada de remédios nas farmácias brasileiras, atrelada a constantes apelos publicitários para o comércio de medicamentos é algo de extremo perigo para a saúde pública. Indubitavelmente, tal fato influencia diretamente no desenvolvimento de doenças crônicas como a hipocondria na qual, por medo de contrair alguma doença, o indivíduo passsa a consumir remédios de maneira inadequada. Dessa maneira, as indústrias de fármacos, por meio de mecanismos que visam o lucro, não só atraem consumidores, mas também geram hipocondríacos.

Em suma, medidas fazem-se necessárias no tocante aos perigos da indústria farmacêutica. Primeiramente, o Estado, junto ao Ministério da Educação, deve criar campanhas de conscientização nas mídias e nas instituições de ensino, mediante a propagandas e palestras de profissionais, que evidenciem o consumo de antibióticos na seleção de bactérias resistentes, para mitigar os malefícios gerados pelo mercado de medicamentos. Somado a isso, por meio do Lesgislativo, o Corpo Estatal deve criar uma lei que controle a venda indiscriminada de medicamentos nas farmácias, com a proibição da compra sem prescrição médica, de modo a garantir e preservar a saúde pública.