Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 25/06/2020

Tyler Durden, concretização de uma série de desejos secretos e de frustrações do personagem principal de “O clube da luta”, abre uma discussão acerca do ser e do sentir numa era em que o consumo é imperativo. Ao sair da ficção e trazendo para a realidade, nota-se que vivemos sufocando aquele que sabe quem é, o que quer e o que sente, já que há uma ideologia circundante pregando que tudo aquilo de que precisamos ou que queremos está à venda e que, se está à venda, é uma necessidade ou um desejo. Sob essa perspectiva, faz-se necessário analisar os elementos motivadores da relação de dependência de consumo dos produtos da indústria farmacêutica, bem como seus efeitos para a sociedade.

É fundamental, em primeira análise, compreender o papel basal da economia no mundo atual. Ao tomar como base o pensamento do filósofo alemão Karl Marx, a partir do materialismo dialético, ou seja a infraestrutura-economia, base material e modo de produção de uma sociedade - rege a superestrutura- realidade social, construção ideológica de uma sociedade. Desse modo, consumir se torna algo fundamental na sociedade hodierna e para isso, através de propagandas, se cria a necessidade de consumo- que pode levar a uma dependência- até mesmo para algo que deve ser usados de modo prudente e sob indicação de um profissional, os remédios.

Analisa-se, consequentemente, um dependência os produtos da indústria farmacêutica, sendo incumbidos a eles, a função de soma (droga que os personagens do livro Admirável Mundo Novo que tem por efeito causar felicidade), porém não se nota os efeitos do uso demasiado dessas. Tal questão pode ser justificada ao analisar o trecho de um artigo do site pragmatismo político no qual diz: “Tomo aspirina para dor de cabeça causada pelo Zyrtec, que uso contra a rinite alérgica que adquiri com o Relenza […] que uso para o colesterol […]”, ou seja, toma-se remédio para curar algo criado por outro, mas que no caso do trecho poderia ser resolvido com exercícios físicos. Desse modo, os remédios, com o objetivo que facilitar a vida, acabam se tornando contraproducente, quando usados de modo desnecessário e não recomendável, por acarretar mais prejuízos que benefícios.

Urge então, a necessidade de sanar o impasse acerca da dependência dos produtos farmacêuticos, quando não necessários e não indicado, criada através das propagandas. Para tanto, cabe ao Ministérios da Saúde, encarregado da saúde pública, criar medidas que exponham e frisem a necessidade do aconselhamento médico no uso de medicações, sendo contra a automedicação, por facilitar o uso excessivo que pode levar a dependência. Isso por meio de projetos de leis que serão votados na câmara. Assim, com o tempo e o apoio necessário do Estado, será revertido o cenário atual de uma economia que incentiva o uso indiscriminado de drogas, passando a incentivar o uso consciente. Além disso, devem ser enviados também projetos de leis que dificultem o acesso de remédios, passando a serem adquiridos somente com receita médica. Desse modo, se tornado impossível um sujeito ciente das pressões ideológicas (que, no caso, levam ao consumo de remédios) e capaz de não concordar com isso, apoiando um consumo eficaz das drogas.