Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 25/06/2020
Na série de tema hospitalar “Grey’s Anatomy”, da autora Shonda Rhimes, é problematizado em um episódio o uso de medicamentos e como isso afeta os pacientes. Não longe da temática da ficção, os perigos da indústria farmacêutica são de extrema relevância, principalmente, em relação à ingestão de fármacos sem indicação de um especialista e à prescrição de remédios.
Primeiramente, a automedicação é muito perigosa e tem tido um aumento dado a um interesse lucrativo da indústria. Isso se deve, em especial, as propagandas que vendem um ideal e não mais um produto, isto é, o medicamento é transformado em algo “milagroso” nos comerciais. Prova disso, é o tempo utilizado para descrever os possíveis efeitos colaterais, que são descritos com extrema rapidez, o que prejudica o entendimento do receptor da mensagem e, assim, não o informa completamente. Essa questão é constatada pela revista da Universidade de São Paulo, que revela o crescimento na venda de fármacos com o advento das propagandas. Dessa maneira, fica perceptível o quanto a automedicação está atrelada aos lucros da indústria farmacêutica e como constitui uma ameaça à saúde pública.
Além disso, há uma exacerbação no uso de medicamentos por indicações médicas em convênio com indústrias farmacêuticas. Tal fato foi demonstrado pela Organização Mundial da Saúde, segundo a qual cerca de 50% dos medicamentos receitados são dispensáveis ou vendidos de forma inadequada. Essa problemática é exemplificada na série da HBO “Euphoria”, em que a personagem Rue recebe uma indicação de muitos remédios para reverter um possível déficit psicológico, desde seus primeiros anos de vida. No entanto, a precipitada prescrição de medicamentos não têm resultados positivos em seu desenvolvimento, o que acaba tornando Rue dependente química. Nesse sentido, o relato ficcional remonta a a triste realidade da indicação e consumo de fármacos de forma inadequada, em razão da imposição dos fabricantes de medicamentos.
Portanto, visto como a indústria farmacêutica está relacionada à automedicação e às prescrições médicas indevidas, é necessário que haja mudanças. Por isso, o Poder Legislativo, responsável pela formulação de normas, deve implementar leis que melhorem as propagandas atuais, por meio da estipulação de uma diretriz que regule a descrição dos riscos da ingestão do produto durante os comerciais, a fim de proteger o consumidor e evitar a automedicação. Ademais, o Ministério da Saúde deve contribuir com cursos para médicos das demais áreas de saúde, realizados nos hospitais em que eles trabalham, sobre a prescrição de medicamentos de forma responsável, para evitar a indicação exagerada de fármacos. Dessa forma, haverá uma realidade diferente daquela vivida por Rue.