Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 26/06/2020

Com o advento da Revolução Tecnocientífica, durante a segunda metade do século XX, ocorreram evoluções, também, na tecnologia de produção de medicamentos. Na contemporaneidade, sabe-se que existem perigos relacionados à industria farmacêutica no tocante à sua relação com o consumidor. Desse modo, evidencia-se que tais riscos são a motivação ao comportamento automedicante, derivado da intensa exposição de propagandas nas mídias, bem como a secundarização da saúde do comprador em relação ao interesse lucrativo no que tange à prescrição médica.

De antemão, percebe-se que a intensa exposição de propagandas de remédios nos veículos informativos gera riscos ao consumidor pela possibilidade de impulsão de um comportamento automedicante. Nessa lógica, analisa-se a teoria do filósofo Adorno, a qual expõe que a mídia trabalha para o capitalismo como uma formadora de atitudes consumistas massificadas nos indivíduos. Nesse aspecto, chega-se à conclusão de que a indústria farmacêutica, em parceria com tais canais midiáticos, comercializam uma visão, estritamente, positiva de determinados medicamentos, de modo a mascarar a necessidade de prescrição médica, fato que pode impulsionar a automedicação. Nessa ideia, fica evidente que a influência expositiva medicamentosa abrange um grave perigo ao cidadão.

Além disso, infere-se que a prescrição de medicamentos, unicamente, com o interesse lucrativo representa outro risco da indústria farmacêutica ao consumidor. Nesse âmbito, relaciona-se a isso a afirmação do escritor Franz Kafka, a qual declara que a lógica capitalista contemporânea coloca o lucro em primeiro plano nas relações comerciais. Nesse contexto, chega-se à conclusão de que a secundarização da saúde do indivíduo relacionada à ação prescritiva irresponsável de remédios “desnecessários”, sustentada pelo ideal monetário, por parte de profissionais da saúde, representa um grave perigo à homeostase individual. Nessa ótica, sabe-se que a dinâmica comercial de tais artigos arrisca a vida do cidadão pelo desfoque do objetivo propagador de saúde, já que a “primeirização” privilegiada do aspecto rentável ganhou a afeição do capitalismo.

Portanto, fica evidente que os perigos da indústria farmacêutica devem ser atenuados. Logo, cabe ao Ministério da Saúde combater a desregrada intensidade de propagandas de remédios nas mídias, por meio de medidas que imponham às marcas medicamentosas a necessidade de evidenciar, nos comerciais televisivos, a importância da prescrição médica para o consumo e os perigos da automedicação. Também, é dever do Governo federal findar atitudes prescritivas com interesse único por lucro, por intermédio da intensificação de grupos fiscalizadores especializados em fraudes em farmácias do país. Assim sendo, ações automedicantes e a secundarização da saúde serão extintas.