Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 26/06/2020
No documentário “take your pills”, que significa tome suas pílulas, mostra a influência e os perigos do uso de remédios de forma indiscriminada e banal. Sendo essa a atual situação que vivem milhares de brasileiros que sustentam financeiramente a indústria farmacêutica. Nesse contexto, não há dúvidas de que os perigos gerados pelo empreendimento de remédios é um desafio, o qual ocorre não só pela automedicação, mas também pela sede de lucro desse ramo.
Em primeira análise, a ação da medicação por conta própria, sem receita e auxílio médico, pode retardar o tratamento de doenças mais graves e em certos casos gerar dependência ao uso dos medicamentos. Essa automedicação fica evidente na pesquisa do Conselho Federal de Farmácia, no qual 77% dos brasileiros consideram isso um hábito comum. Ou seja, além de banalizar o trabalho de profissionais que estudaram para auxilia-los colocam em risco sua vida em prol de uma falsa sensação de bem estar causada pelo efeito momentâneo dos remédios.
Ademais, o ramo farmacêutico tornou-se uma das indústrias mais lucrativas no Brasil apenas incitando as pessoas a consumir drogas desnecessárias. Isso fica claro no livro “Modernidade Líquida” do estudioso Zygmunt Bauman, onde ele diz que somos responsáveis pelo outro, isto é, por conta das relações sociais serem interdependentes tudo o que fazemos ou deixamos de fazer tem impacto na vida de outrem. Em paralelo com a indústria farmacêutica a falta de responsabilidade social de muitas empresas, do ramo da farmácia, somente vê o ser humano como consumidor e não como uma pessoa que precisa de auxílio médico e farmacêutico. A consequência disso é a compra indiscriminada de remédios apenas para satisfazer o lucro do mercado.
Portanto, é fato que a indústria farmacêutica tem seus perigos e sanar eles é o principal objetivo. Para isso, o Ministério da Saúde deve investir em aplicativos de teleatendimento com profissionais do SUS no intuito de diminuir o número de automedicações, pois os pacientes teriam acesso ao atendimento médico, associado à atuação de empresas privadas do setor de farmácia, baseado no receituário do médico, devem vender apenas a quantidade necessária para o tratamento. Além disso, o Poder Legislativo, por meio de um projeto de lei, deve obrigar que a indústria farmacêutica destine parte de seus lucros para os gastos com reeducação e uso consciente dos remédios para os brasileiros.