Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 26/06/2020

Na série Dr. House,em vários episódios,percebe-se com frequência o número de pessoas que chegam ao hospital sentindo dores e mostrando quais remédios devem ser usados.Fora da ficção,essa realidade é bastante presente no cotidiano dos brasileiros,que compram remédios receitados por terceiros e podem acabar potencializando o problema.Nesse contexto,não há dúvidas que a indústria farmacêutica apresenta perigos,os quais ocorrem devido às informações sem exatidão nas redes e pela facilidade de se automedicar.

Em primeiro lugar,com a facilidade de acesso às inúmeras informações falsas que a internet propicia, o desequilíbrio entre a indústria farmacêutica e o consumidor é aumentado.Nesse contexto,uma pesquisa do Instituto de Ciência,Tecnologia e Qualidade revela que cerca de 80% dos brasileiros tomam os fármacos sem qualquer receita médica,pois recorrem a sites farmacêuticos online para buscar medicamentos.Tudo isso está atrelado à alta taxa de conhecimentos prévios nessas redes,de modo que pode acabar enganando as pessoas,que ao por seus sintomas na internet,acreditam que o tratamento informado pela ferramenta é o correto,quando na verdade pode causar dependência química.Logo,a industria farmacêutica detém de um grande poder publicitário midiático que induz a população,desprovida de um domínio específico,a comprar remédios sem esclarecer as consequências.

Em segundo lugar,a facilidade de se automedicar apresenta-se como impulsionador do surgimento de várias doenças.Sob esse viés,no Brasil,dados recentes revelam que cerca de 76,4% da população pratica cotidianamente a automedicação,pois a farmácia é vista como uma loja e não como um estabelecimento de promoção à saúde.Diante desse cenário,o medicamento tornou-se uma mercadoria comum,o que estimula a cultura de automedicação.Ou seja,as indústrias farmacêuticas,cada vez mais,mercantilizam a saúde,vendendo remédios sem receitas ou colocando-os em promoção a fim do consumidor poder comprar mais.Logo,esse uso irracional dos remédios pode acarretar o agravamento de uma doença,uma vez que a utilização inadequada pode esconder determinados sintomas e por isso deve haver um trabalho de conscientização sobre esse entrave.

Portanto,cabe ao Poder Executivo,junto com órgãos como o CONAR,aumentar a rigidez das leis da venda de medicamentos e regulamentar os anúncios publicitários deles,por meio de aplicação de multas altas e uma maior fiscalização nas farmácias.Além disso,as propagandas devem explicitar os riscos de cada medicação e quando deve ser usado,a fim de acabar com a desinformação.Ademais,o Ministério da Saúde deve criar campanhas,nas redes sociais,conscientizando a população dos males da automedicação,por meio de cartazes como"A internet em vez de curar pode matar"rompendo o risco