Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 23/06/2020
Emília, personagem do “Sítio do pica-pau amarelo“, conto infantil escrito por Monteiro Lobato, é uma boneca de pano que, ao tomar a “pílula falante”, se transforma em uma criança de verdade. Fora da literatura, percebe-se que a sociedade brasileira se comporta de forma análoga à personagem, uma vez que a prática da automedicação é comum e crescente. Todavia, diferente do que é mostrado na ficção, esse ato, em conjunto com os grandes avanços da indústria farmacêutica, traz diversos perigos para a nação. Entre esses, há o incentivo à compra pelas drogarias brasileiras, que possui como consequência a resistência do organismo humano e dos agentes etiológicos à medicação existente no mercado.
Em um primeiro âmbito, é válido ressaltar que, com a revolução tecnocientífica, houve um grande desenvolvimento na indústria farmacêutica, no entanto, é notável que, junto com os avanços, ela representa muitos perigos para a nação brasileira. Isso ocorre porque, a medida que ela tem visado o lucro, é cada dia mais comum ir a uma drogaria e encontrar promoções como: “pague um, leve dois”. Consequentemente, há o crescimento no número de pessoas que se automedicam e mais que isso, o indivíduo que levaria apenas uma caixa da medicação acaba levando duas. Nesse contexto, por causa da facilidade de compra, há, na sociedade brasileira, a banalização do uso dessas drogas. A ritalina, por exemplo, é uma droga frequentemente utilizada por estudantes sem acompanhamento médico.
Em uma segunda esfera, é imprescindível dizer que, como consequência da automedicação, o organismo humano e os agentes etiológicos têm se tornado resistentes as drogas existentes no mercado. Desse modo, medicamentos que antes eram extremamente eficazes na maioria dos casos de doenças conhecidas, hoje já não são tão eficazes para combatê-las. Ratifica isso, o surto que ocorreu em 2010, no Distrito Federal, no qual uma superbactéria causou a morte de 18 pessoas. Felizmente, nesse caso, os médicos,com medidas de higiene nos hospitais, conseguiram conter a disseminação desse agente. Porém, se por causa da irresponsabilidade da indústria farmacêutica e da população brasileira incidentes como esse tornarem-se comuns, o risco que a nação corre de enfrentar um grande problema de saúde pública é enorme.
Portanto, a indústria farmacêutica, apesar de indispensável, oferece riscos à população. Para atenuar esses, é necessário que o Governo, como instancia máxima da administração executiva, aumente a fiscalização nas drogarias brasileira. Isso deve ser feito por meio do aumento no número de fiscais da Agencia Nacional de Vigilância Sanitária e na frequência com que as visitas nas farmácias são feitas, a fim de diminuir a venda não prescrita de medicamentos. Assim, os brasileiros, deferentemente da boneca Emília, não se automedicarão.