Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 19/06/2020
Na história do Sítio do Picapau Amarelo, escrita por Monteiro Lobato, Visconde de Sabugosa joga na personagem Emília o pó mágico de Pirlimpimpim, transformando a boneca de pano em gente. Fora da ficção a grande influência da indústria farmacêutica no país tem feito com que muitas pessoas ignorem a seriedade dos remédios e os usem arbitrariamente tal como Visconde fez com Emília. No entanto, essa conjuntura possui vários perigos como o desenvolvimento de superbactérias, bem como a dependência aos remédios.
É importante ressaltar, de início, que um dos maiores riscos ocasionado pela indústria farmacêutica é o desenvolvimento de superbactérias. Isso ocorre, pois, no Brasil, há diversas propagandas elaboradas por esse setor que incentivam a automedicação, o que, a longo prazo, pode acarretar a maior resistência de agentes causadores. Segundo o filósofo polonês Bauman, a sociedade contemporânea é marcada pelo imediatismo. Dessa forma, promessas de soluções rápidas e eficazes nos anúncios são fundamentais para que a pessoa consiga acompanhar o ritmo da sociedade, visto que a “inutilização” do tempo ocasionado pela doença é considerada perda de tempo. No entanto, essa realidade possibilita maiores chances de superbactérias.
Ademais, um outro risco causado pela indústria farmacêutica é a maior dependência do paciente aos medicamentos. Conforme o filósofo francês Michel Foucault, o indivíduo sofre uma docilização do seu corpo por meio dos sistemas de poder, que o fazem obedecer aos interesses desses mecanismos. Na problemática em questão, a indústria farmacêutica é a instituição que exerce sua manipulação na sociedade com as propagandas persuasivas, bem como com as diversas promoções nas inúmeras farmácia do país. Tal fato não apenas contribui para a compra desnecessária de medicamentos, como também, a longo prazo, pode agravar determinado sintoma de uma pessoa e torná-la dependente ao medicamento.
São necessárias, portanto, medidas que alterem essa conjuntura. Para isso, o Ministério da Saúde fiscalizará melhor as propagandas de medicamentos, por meio de campanhas, a fim de que a apelação utilizada em anúncios seja permanentemente proibida e a automedicação não mais seja incentivada. Além disso, o mesmo órgão dificultará mais o acesso a remédios sem prescrição, proibindo as drogarias de oferecer promoções de remédios a clientes que não possuam alguma orientação médica. Dessa maneira, a indústria farmacêutica não mais será abusiva na relação com o consumidor e este não mais tomará medicamentos de forma arbitrária, como um “pó de pirlimpimpim”.