Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 23/06/2020
Consoante Vidal De La Blache, geógrafo humanista, espaço geográfico é toda a relação do homem com a sociedade. Sob essa ótica, mediante provectos fatores de cunho histórico e cultural, faz-se fundamental discutir acerca dos perigos evidenciados pela indústria farmacêutica, no contexto hodierno, para com o âmbito social. Logo, é imprescindível analisar o contexto histográfico dessa problemática e seus reflexos para a população tupiniquim, bem como o papel estatal em sua prevalência na contemporaneidade.
Pontua-se, a priori, mediante a observação histórica da nação canarinha, que desde os processos denominados Revoluções Industriais e a ascensão ao capitalismo, o impulso ao consumismo desenfreado de medicamentos por parte da sociedade, não só foi influenciado pelos interesses econômicos das multinacionais farmacêuticas, como também contribuiu para a ampliação do processo de automedicação de uma grande parcela da população. Esse fato pode ser observado segundo dados de uma pesquisa realizada pelo ICTQ ( Instituto de Pós-Graduação para Profissionais do Mercado Farmacêutico), para a qual, ‘‘A cada 10 brasileiros, 8 tomam remédios por conta própria". Assim, evidencia, infelizmente, a facilidade de venda, e uso, de remédios para a população, o que pode ocasionar o surgimento de doenças, não só físicas, mas também psicológicas, como a hipocondria.
Concomitantemente a isso, segundo o pensamento do filósofo Immanuel Kant, o indivíduo só atinge a maioridade quando sintetiza a possibilidade de agir com sua própria razão. Entretanto, o Governo, ao negligenciar, em uma grande parcela, os perigos ocasionados pela influência à automedicação, evidenciada na mídia e nas campanhas publicitárias de grandes indústrias do ramo farmacêutico, obriga os cidadãos a permanecerem em seu estado de menoridade. Nesse contexto, as escolas emergem como importantes agentes mitigatórios, já que, ao formarem indivíduos mais autônomos, contribuem para a construção de uma mentalidade que primazia a reflexão acerca das problemas contemporâneos, como é o caso do consumo desenfreado de remédios pela sociedade.
Dessarte, medidas tornam-se imperativas para equilibrar o espaço geográfico tupiniquim. Para que isso ocorra, o Estado, em parceria com o Ministério da Educação, deve investir em palestras e projetos sociais acerca dos prejuízos ocasionados pela influência ao consumismo desenfreado de medicamentos por parte do ramo farmacêutico. Isso deve acontecer por meio de um amplo apoio midiático, que inclua propagandas televisivas, entrevistas em jornais e debates entre os professores, a fim de reverter barreiras sobre o tema e atingir um público maior. Assim, a nação brasileira alcançará uma verdadeira posição de Estado democrático de direito.