Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 24/06/2020

A população do século XXI é considerada por alguns filósofos como “a sociedade do desempenho”, ou seja, pessoas numa busca frenética pelo capital no menor tempo possível. Nesse sentido, a indústria farmacêutica conseguiu um papel de destaque na sustentação dessa sociedade, mas ela fez isso sem mensurar os riscos de tal conjuntura. Assim, o estímulo à automedicação e a exploração social são os principais perigos da problemática.

A princípio, é fundamental perceber que a indústria farmacêutica contribui para que a população use medicamentos por conta própria. Isso ocorre, pois nos anúncios publicitários da indústria existe uma banalização dos efeitos dos medicamentos, bem como dos quadros clínicos que exigem o uso do determinado remédio. Dessa forma, a população compra os medicamentos e usa-os baseada em diagnósticos completamente superficiais, podendo até mascarar os sintomas de doenças mais graves. Tal conjuntura é notável, por exemplo, nas frases de efeito de alguns anúncios publicitários de indústrias farmacêuticas, como “Tomou Doril, a dor sumiu” ou “É gripe? Benegripe”, nas quais é possível notar a banalização do uso dos remédios e o estímulo à automedicação.

Além disso, a indústria farmacêutica aproveita a realidade extremamente capitalista da sociedade do século XXI para o comércio de  seus produtos. Tal situação acontece, pois o modo de vida atual, no qual “tempo é dinheiro”, os indivíduos não querem parar de trabalhar, mesmo quando estão acometidos por problemas de saúde. Então, a indústria de medicamentos ratifica o estilo de vida, por meio de seus anúncios publicitários, a fim de obter lucros, visto que para suportar essa realidade frenética e não saudável em busca do acúmulo de riquezas, é necessário o uso de remédios para mascarar os efeitos na saúde. Esse mecanismo de exploração da população é consoante a frase do escritor George Orwell “A marca mantém a mídia. A mídia controla a massa. A massa mantém a marca”, a qual estabelece a relação que existe entre as fábricas de medicamentos, suas propagandas e a manipulação das pessoas.

Portanto, é fundamental que o CONAR, órgão responsável por regular os anúncios publicitários, fiscalize de forma mais rigorosa as propagandas das indústrias farmacêuticas, a fim de coibir a exploração das pessoas e o estímulo à automedicação. Isso deve ser feito por meio da formação de um grupo, dentro do próprio órgão, para fiscalizar especificamente os anúncios publicitários da indústria farmacêutica.