Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 24/06/2020

O dito popular “de médico e louco, todo mundo tem um pouco” reflete uma imagem social hodiernamente instalada no senso comum caracterizada pela banalização do uso autônomo de fármacos. Neste cenário, é perceptível os perigos da indústria farmacêutica relacionados à mercantilização da saúde, por meio de instituições midiáticas (propagandas televisionadas de remédios, por exemplo). Neste sentido, em respaldo a esse pensamento, vigora na sociedade a prática da automedicação e, consequentemente, a geração de problemas no funcionamento biológico corpóreo do indivíduo.

Primeiramente, cresce na sociedade o número de pessoas que fazem o uso indiscriminado de remédios, em razão da sobreposição da cura instantânea em relação aos efeitos colaterais. Segundo dados do Conselho Federal de Farmácia, cerca de 77% da população brasileira se automedicam. Isso se dá pelo fácil acesso aos ditos “medicamentos do cotidiano” (a exemplo das aspirinas), bem como a limitada fiscalização no requerimento de receitas médicas para remédios controlados. Isso decorre da mercantilização da saúde pelos cidadãos e a sobrepujança do bem-estar imediato (medicação) ao de longo prazo (reeducação dos hábitos do dia a dia, objetivando uma melhor qualidade de vida).

Consequentemente, o abuso na ministração de remédios diminui a longevidade e acarreta a redução da qualidade de vida, de acordo com o médico gerontólogo brasileiro Alexandre Kalache. Dessa forma, ao mesmos tempo que alivia os sintomas momentâneos, o uso de fármacos descontroladamente pode acarretar doenças crônicas, devido à sobrecarga e falência de órgãos vitais, como os rins. Como resultado, em muitos casos, torna-se inevitável a necessidade da hemodiálise, decorrente do agravamento do estado de saúde do indivíduo. Além disso, o consumo excessivo e sem acompanhamento médico dessas substâncias, especialmente os psicotrópicos, pode gerar dependência química. Nesse sentido, muitas vezes, sobrevém a suscetibilidade a doenças neurológicas, como o alzheimer.

Portanto, é necessário o levantamento de medidas que tornem ínfimo os perigos da indústria farmacêutica. Desse modo, o Ministério da Saúde, junto a organizações não governamentais de saúde, deve controlar a venda indiscriminada e conscientizar a população sobre o uso de remédios. Isso será possível por meio de maiores fiscalizações nos postos farmacêuticos (com o requerimento da prescrição médica e disponibilização de profissionais de farmácia ao indivíduo). Ademais, a educação da utilização de medicamentos ocorrerá por meio da distribuição de conteúdos informativos científicos - panfletos, sites de pesquisa e palestras públicas - acerca dos malefícios do consumo descontrolado de fármacos. Isso tudo objetiva a prevenção de doenças indiretamente induzidas e o melhoramento na qualidade de vida do cidadão.