Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 25/06/2020
No filme “Capitão América: O primeiro vingador”, o protagonista Steve Rogers adquire superpoderes após ingerir um soro farmacológico. Apesar de produzido no contexto da Segunda Guerra Mundial, a história desse personagem traduz a associação entre bem-estar e uso de fármacos propagada pela indústria farmacêutica atual. Nesse sentido, nota-se que, à medida que tal correlação é forjada na sociedade, crescem os perigos do uso de remédios, o que se deve a fatores como a automedicação e a fragilidade das fiscalizações.
Em primeira análise, observa-se que a automedicação é reflexo da banalização da saúde pela própria indústria farmacêutica. Quanto a isso, o filósofo Mário Sérgio Cortella cunhou o termo “mídia como corpo docente” para designar o potencial doutrinador dos meios de comunicação sobre os comportamentos humanos. Dessa forma, cientes dessa capacidade, tais empresas financiam propagandas que incentivam o consumo irrestrito de diversos tipos de medicações. Assim, telespectadores e usuários de plataformas digitais são impelidos à crença de que para resolver suas mazelas basta comprar determinado medicamento, sem que haja necessidade de indicação e investigação médicas.
Em segunda análise, a fragilidade na fiscalização da venda de remédios contribui para a problemática. A respeito disso, a Constituição Brasileira define que o comércio dos produtos de saúde também deve ser supervisionado nos âmbitos estaduais e municipais. No entanto, nem sempre é o que acontece: a venda de fármacos em locais inapropriados - como as feiras livres - e a sua comercialização sem prescrição médica em farmácias locais revelam que a realidade não retrata o que determina a legislação. Assim, não é possível garantir que a mercadoria atenda às especificações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, tornando a população sujeita ao uso de falsificados.
Depreende-se, portanto, que os riscos trazidos pela indústria farmacêutica são latentes. Para minimizá-los, o Ministério da Saúde deve incentivar a redução da automedicação. Isso pode ser feito por meio de campanhas na mídia digital e televisiva alertando a população acerca dos perigos dessa prática. Tal medida deve ser acompanhada de petição ao Poder Executivo a fim de que seja criada uma lei que regulamente as propagandas que fazem apologia ao uso irrestrito de fármacos. Por fim, cabe às secretarias estaduais e municipais de saúde aumentarem as fiscalizações da venda irregular, por meio da ampliação da vigilância para bairros periférios, nos quais o comércio ilegal é mais acentuado. Espera-se, assim, que a indústria dos fármacos atribua referências reais dos efeitos dos medicamentos nos indivíduos.