Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 24/06/2020
Com processo de urbanização e globalização na sociedade, surgiram enfermidades e a necessidade de uma atenção maior a esta problemática. Com isso, por volta da década de 1940, surgiram as primeiras pesquisas com objetivo de desenvolver medicamentos para doenças que afligiam a população. Nesse período, houve também a criação da Organização Mundial da Saúde (OMS), com o propósito de cuidar dos assuntos relacionados à saúde em todo o mundo. Entretanto, em nossos dias, apesar dos incontáveis benefícios da indústria de medicamentos, há uma preocupante exposição midiática da automedicação, a qual é resultado não só do uso de publicidades que influenciam famílias, como também da inércia estatal, no tocante às medidas para evitar que os indivíduos usem medicamentos de forma indiscriminada.
Primeiramente, destaca-se o papel que os meios de comunicação social exercem na formação das pessoas como um dos causadores do problema. Para o filósofo brasileiro, Mario Sergio Cortella, “a mídia como corpo docente”, afirma essa capacidade de formação exercida no indivíduo. Nesse contexto, constata-se que propagandas que influenciam o uso da automedicação, com a promessa do alívio imediato, cujo uso pode causar alergias, ocultar sintomas de doenças mais sérias e outros problemas de saúde, por exemplo. Dessa forma, enquanto as famílias não adotarem medidas de como se comportar diante das investidas das grandes empresas farmacêuticas, correm o risco de cada vez mais se tornarem dependentes destas drogas.
Por outro lado, é preciso pontuar a omissão do Estado como impulsionador do impasse. A esse respeito, o sociólogo Friedrick Hegel defende a ideia que o Estado “deve proteger os seus filhos”. Todavia, isso não ocorre no Brasil, uma vez que a população tem acesso com facilidade a medicamentos sem orientação médica e muitas vezes nem mesmo do farmacêutico.
Portanto, compete ao Poder Legislativo, que tem a função social de regular a sociedade a partir da elaboração de leis, disciplinar propagandas de fármacos, para que estas alertem o uso da automedicação e instruam a consulta médica antes do uso. Espera-se com isso, um menor número de pessoas hipocondríacas e com menos problemas desencadeados pelo uso de medicamentos por conta própria. É importante também que o Poder Executivo e o Ministério da Saúde promovam junto à OMS, por meio de debates sobre o uso de medicamentos de forma desenfreada, na Assembleia Mundial da Saúde, que ocorre anualmente em Genebra, ocasião que os Estados Membros se reúnem. Na tentativa de “proteger os seus filhos” da propagação do falso bem-estar que é vendido pelo mercado milionário farmacêutico.