Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 20/06/2020

Desde o começo da civilização humana, ingredientes naturais eram usados para tratar as mais variadas enfermidades. Porém, com o aumento exponencial da população e o surgimento de novas doenças ao longo da história, surgiu a necessidade de cada vez mais tratamentos e em maior quantidade. Dessa forma, começou a surgir a indústria farmacêutica, a qual, hoje, enfrenta problemas que vão de acusações sobre o desenvolvimento de doenças até incentivo ao consumo exacerbado de fármacos. A partir desse contexto, é válido discutir os perigos dessa indústria.

É fundamental, de início, notar que um dos maiores perigos gerados pela indústria farmacêutica é a pouca análise dos efeitos colaterais a partir do consumo de remédios. Segundo Carlos Lattoglia, professor do núcleo de farmácia da Universidade de São Paulo, o grande número de efeitos adversos após uso de remédios leva a população a ter que consumir mais fármacos para resolver enfermidades causadas pelo consumo de outras drogas, levando a um ciclo vicioso. Tal questão gera o debate sobre a real eficiência dos remédios usados hoje em dia, uma vez que se eles causam muitas reações, não deveriam estar sendo consumidos, mas sim melhorados nos laboratórios.

Faz-se necessário pontuar, ainda, que outro perigo da indústria farmacêutica é financiamento às propagandas excessivas veiculadas na mídia. Nesse caso, baseando-se no pensamento do filósofo Mário Sérgio Cortella, a mídia passa a exercer o papel de corpo docente, uma vez que as pessoas, por ficarem várias horas por dia em frente aos meios de comunicação, são atingidas pelas várias propagandas de remédios e induzidas a consumi-los. Dessa forma, compreende-se bem porque é perigoso a indústria farmacêutica investir tanto em propagandas já que, mesmo em tempos de crise, tem crescido 9,4% ao ano de acordo com a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa.

Fica clara, portanto, a necessidade de medidas que mitiguem os perigos da indústria farmacêutica. Por isso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), pelo papel de analisar e autorizar a venda de medicamentos no país, deve enrijecer suas diretrizes para aprovação de medicamentos. Tal ação se dará por meio da autorização da venda somente após obtenção de fórmulas com a menor taxa de efeitos colaterais, visando um menor consumo de remédios em cadeia pela população. Ademais, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR), por regulamentar o setor publicitário, deve impor limites ao apelo midiático em favor do consumo de fármacos a partir da proibição da exibição dessas propagandas em horários com conteúdo infantil, por exemplo, a fim de diminuir o estímulo ao uso de medicamentos. Assim, os perigos da indústria farmacêutica serão reduzidos e a população sofrerá menos com o uso de remédios.