Os perigos da indústria farmacêutica

Enviada em 26/06/2020

Na célebre obra literária infantil “O pequeno príncipe”, uma jiboia revela ser capaz de transportar o personagem principal ao seu planeta de origem, entretanto, o meio é a picada mortífera do animal peçonhento. Fora do plano da ficção, muitas propagandas de fármacos garantem  supostas benesse, tais como a profilaxia de doenças ou o retardo de processos vitais do corpo, mas, assim como o juramento ludibriador da jiboia,  ocultam os efeitos colaterais que o medicamento pode provocar no consumidor, prejudicando o quadro de saúde coletiva.  Portanto, cabe apontar o marketing de medicamento seguido pela automedicação como perigos fomentados pela indústria farmacêutica.

Em uma primeira análise, cabe ressaltar que o marketing sobre medicamentos feito pela indústria farmacêutica é, extremamente, abusivo e danoso para saúde pública. Uma vez que, as propagandas de fórmulas “vendem” doenças,criando demanda sobre o medo da população leiga. Exemplo disso são as publicidades acerca de remédios para emagrecer, que veiculam o corpo magro como saudável e livre de qualquer doença associada ao sobrepeso. Nesse caso, as propagandas expõem, apenas, os supostos benefícios da fórmula em detrimento dos efeitos colaterais que podem, inclusive, intoxicar um consumidor irresponsável ou mal instruído.  Nas palavras do filósofo polonês Zygmunt Bauman, o progresso na sociedade pós-moderna é “se manter na corrida”, logo, independente do desserviço social das propagandas de fórmulas, o lucro é estimado em detrimento da saúde coletiva.

Ademais, o autodiagnóstico de doenças, mesmo que seja para o alívio imediato de sintomas proposto pelo marketing da indústria farmacêutica, pode ser um grande risco para a saúde do consumidor. Uma vez que, a automedicação sem acompanhamento profissional aumenta a probabilidade da ineficácia do tratamento e, até mesmo, pode chegar a intensificar o problema. Prova disso é que, segundo a OMS, 50% dos medicamentos são utilizados de forma ineficaz ou prejudicial. Por isso, a conscientização acerca do consumo de medicamentos, acompanhado por profissionais da saúde,  deve ser feito pelo Estado, a fim de melhorar o quadro de saúde pública.

Por fim, para mitigar os perigos da indústria farmacêutica e, consequentemente, melhorar o quadro de saúde pública, algumas medidas devem ser tomadas pelo Estado. Primeiramente, o Ministério Público deve estimular iniciativas populares, através das redes sociais, para a criação de projetos de lei que possam legalizar a obrigatoriedade de propagandas de medicamentos com os seus efeitos colaterais e aconselhamento ao público a buscar profissionais da saúde antes de consumir  o produto. Ademais, o Ministério Público ,financiado pelo Governo Federal, deve veicular propagandas televisivas acerca dos riscos da automedicação com profissionais da saúde famosos como o Dr.Drauzio Varella.